Vivemos em uma época em que estar ocupado virou sinônimo de sucesso. Parece que quanto mais cansados estamos, mais produtivos somos. Descansar passou a ser visto quase como um privilégio, e não como uma necessidade. Você já percebeu como é difícil simplesmente parar?
Muitas pessoas tiram férias e continuam respondendo e-mails. Sentam para assistir a um filme, mas pegam o celular a cada cinco minutos. Reservam um domingo para descansar e, antes mesmo do almoço, já estão se sentindo culpadas por “não estarem fazendo nada”. É como se existisse uma voz dentro da gente dizendo que sempre há algo mais importante para fazer. Mas essa voz tem um preço.
O corpo foi feito para alternar movimento e descanso. A mente também. Quando vivemos em um estado permanente de produtividade, o cérebro permanece em alerta por tempo demais. Aos poucos, começam a surgir o cansaço constante, a dificuldade de concentração, a irritabilidade, a ansiedade e, em muitos casos, o burnout.
O descanso não é um prêmio que recebemos quando terminamos todas as tarefas. Porque, convenhamos, elas nunca acabam. Sempre haverá um novo compromisso, uma nova meta, um novo problema para ser resolvido. Descansar precisa deixar de ser recompensa para se tornar uma prioridade. E descansar não significa apenas dormir. É permitir que a mente desacelere. É caminhar sem olhar o relógio. É tomar um café com calma. É conversar sem pressa. É ficar alguns minutos em silêncio. É simplesmente existir sem a obrigação de produzir o tempo todo.
Existe uma diferença enorme entre estar cansado e estar esgotado. O cansaço passa com uma boa noite de sono. O esgotamento acontece quando passamos tanto tempo ignorando nossos próprios limites, que já não sabemos mais como voltar ao nosso equilíbrio original. Talvez por isso tantas pessoas sintam culpa quando descansam. Fomos ensinados a acreditar que o nosso valor está no quanto produzimos, e não em quem de fato somos. Mas, uma mente exausta não cria. Não sonha. Não se conecta. Apenas sobrevive. Cuidar da saúde mental também significa aprender a respeitar os próprios limites. Ouvir o corpo antes que ele precise gritar. Entender que fazer pausas não diminui o nosso compromisso com a vida. Pelo contrário, nos dá forças para continuar caminhando. Descansar não é perder tempo. É recuperar aquilo que nenhuma agenda consegue nos dar, como presença, equilíbrio e qualidade de vida.
Cláudia Russo






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