Brasil aguarda decisão dos EUA sobre novas tarifas e prepara resposta caso medida seja confirmada

O governo federal trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos confirmem, nos próximos dias, a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A decisão deverá ser anunciada até quarta-feira (15), data estabelecida pela administração do presidente Donald Trump para concluir a análise das medidas comerciais.

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Enquanto aguarda o posicionamento oficial da Casa Branca, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém as negociações diplomáticas e avalia diferentes cenários para definir como o Brasil reagirá caso as sobretaxas sejam efetivamente implementadas.

Segundo integrantes do governo, ainda existe a possibilidade de alterações na decisão final, com a ampliação da lista de produtos que poderiam ficar de fora das novas tarifas. Antes do encerramento do prazo, o Brasil também espera participar de uma nova reunião virtual com representantes do governo norte-americano para discutir o tema.

Na última sexta-feira (10), Lula reuniu-se com ministros no Palácio do Planalto para analisar o andamento das tratativas. De acordo com interlocutores, o presidente orientou que o diálogo com os Estados Unidos seja mantido até o último momento, embora o governo brasileiro continue sustentando que não há justificativa técnica para a adoção das medidas.

Caso a taxação seja confirmada, a primeira manifestação oficial deverá ser de contestação à decisão. A avaliação do governo é de que a política comercial adotada pelos Estados Unidos desconsidera o atual equilíbrio das relações econômicas entre os dois países e cria barreiras consideradas injustificadas às exportações brasileiras.

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Além do posicionamento diplomático, equipes técnicas deverão analisar os detalhes da decisão para verificar quais setores serão atingidos e quais medidas poderão ser adotadas posteriormente. Entre as possibilidades estudadas está o uso da Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil responder a restrições comerciais impostas por outros países, caso sejam preenchidos os requisitos legais.

Apesar da continuidade das conversas, integrantes do governo avaliam que um adiamento da decisão é pouco provável. O entendimento é de que a atual política comercial dos Estados Unidos tem priorizado a adoção de tarifas como estratégia de proteção à indústria norte-americana e que, até o momento, Washington não sinalizou disposição para ampliar o prazo da investigação.

Ao mesmo tempo, empresas e entidades empresariais dos Estados Unidos têm defendido que determinados produtos brasileiros permaneçam isentos das novas cobranças. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, dezenas de organizações apresentaram manifestações ao governo norte-americano alegando que parte dessas mercadorias não possui substitutos produzidos internamente, o que poderia gerar impactos para a própria economia dos Estados Unidos.

O tema também ganhou repercussão no cenário político brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL) encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um pedido para que a decisão fosse adiada para depois das eleições brasileiras. Em audiência pública realizada nos Estados Unidos, ele voltou a defender a prorrogação, argumentando que a adoção das tarifas neste momento teria reflexos políticos e econômicos.

As negociações ocorrem cerca de um ano após Donald Trump anunciar uma série de medidas comerciais contra produtos brasileiros, ampliando as tensões entre os dois países. Desde então, parte das tarifas foi revista, outras permaneceram em vigor e novas restrições passaram a ser discutidas pelo governo norte-americano.

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