O futebol tem uma maneira muito particular de mexer com a gente. Basta a bola começar a rolar no campo para que o coração acelere, as mãos fiquem inquietas e a razão perca um pouco do espaço. Em poucos minutos, podemos passar da esperança para o medo, da alegria para a tristeza, da confiança para a ansiedade. É impressionante como um jogo consegue despertar tantas emoções ao mesmo tempo.
Quem torce sabe. A gente não fica apenas sentado assistindo. O corpo participa. Levantamos do sofá, gritamos, prendemos a respiração, reclamamos do juiz e comemoramos um gol como se também estivéssemos dentro de campo. E talvez, emocionalmente, estejamos mesmo.
Quando escolhemos um time, criamos um vínculo. A camisa deixa de ser apenas uma peça de roupa e passa a representar uma identidade, uma memória e um pertencimento. Muitas vezes, essa paixão começa ainda na infância, acompanhando os pais, os avós, os amigos ou alguém que nos ensinou a amar aquele clube.
Por isso, o futebol também é memória afetiva. É lembrar das tardes de domingo, do rádio ligado, da família reunida, das conversas depois do jogo e dos abraços que nasceram em meio a uma comemoração. Às vezes, torcer por um time é também manter viva a presença de alguém que já não está mais aqui.
Em um estádio, pessoas que nunca se viram cantam juntas, sofrem juntas e se abraçam depois de um gol. Por noventa minutos, desconhecidos compartilham a mesma esperança. E essa sensação de pertencer a algo maior faz muito bem ao nosso emocional.
Mas a paixão também tem outro lado. Quando o resultado não acontece como esperávamos, surgem a raiva, a tristeza, a frustração e a sensação de injustiça. Algumas pessoas ficam irritadas por horas. Outras preferem sofrer no silêncio. E isso é compreensível. Quando colocamos emoção em alguma coisa, também nos tornamos vulneráveis ao resultado.
Imagina as emoções dentro de uma Copa do Mundo, onde não estamos falando do nosso time do coração, mas no time do nosso país. Essa emoção se multiplica, assim como o sofrimento. E aí vem a depressão pós-copa. A tristeza que nos acompanha por dias por não estarmos entre os melhores do mundo. Infelizmente, não foi dessa vez.
É preciso ter maturidade emocional para lidar com aquilo que sentimos. O futebol pode ser uma grande escola emocional. Ele ensina que nem sempre o melhor vence. Que o esforço não garante o resultado. Que existem dias de glória e dias em que nada parece dar certo. Ensina a esperar, a acreditar, a lidar com a frustração e, principalmente, a recomeçar. Porque todo campeonato oferece uma nova partida.
Cláudia Russo






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