CENÁRIO | ELEIÇÕES 2026

Santa Catarina entra oficialmente na disputa: alianças estão definidas, campanha começa no rádio e na TV e pesquisa aponta vantagem de Jorginho

Com oito chapas ao Governo, 13 candidatos ao Senado e 692 candidaturas registradas, Santa Catarina chega à campanha com um cenário mais definido — mas ainda aberto em pontos importantes

Santa Catarina entrou, oficialmente, na fase mais visível das Eleições 2026.

A partir desta sexta-feira, 28 de agosto, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. É também o momento em que as alianças deixam de ser apenas movimentos de bastidores e passam a disputar diretamente a atenção do eleitor. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se houver segundo turno, a votação será em 25 de outubro.

O quadro catarinense já tem contornos definidos. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina recebeu 692 pedidos de registro de candidatura até o encerramento do prazo, em 15 de agosto. São oito chapas para o Governo do Estado, 13 candidaturas ao Senado, 229 para deputado federal e 408 para deputado estadual. Os registros, porém, ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral. O TRE-SC informou que a previsão é concluir o julgamento dos processos até 14 de setembro.

É nesse cenário que começa uma campanha que reúne continuidade, oposição, disputa interna no campo de centro-direita e uma tentativa de reorganização do campo progressista.

O primeiro retrato das urnas

A pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto, contratada pela NSC e registrada no TSE sob o número SC-00517/2026, apresenta o primeiro retrato de intenção de voto feito pelo instituto nesta eleição catarinense.

No cenário estimulado para o Governo do Estado, Jorginho Mello (PL) aparece com 50%, seguido por João Rodrigues (PSD), com 17%, e Gelson Merísio (PSB), com 4%.

Professor Marcus Sodré (PSTU) aparece com 2%. Bruno Pedreiro (PCO), Laís Chaud (UP) e Marcelo Brigadeiro (Missão) têm 1% cada, enquanto Ralf Zimmer (PRD) não pontuou. Os indecisos somam 16%, e 8% afirmam que votariam em branco, nulo ou não votariam.

O dado mais expressivo é a distância entre o governador e os adversários. Considerando os números atuais, Jorginho aparece em uma posição que permitiria uma vitória no primeiro turno.

Mas há uma diferença que precisa ser preservada pelo jornalismo: pesquisa mede intenção de voto no momento em que foi realizada; não antecipa o resultado da eleição.

A própria pesquisa mostra que há espaço para movimentação. Na resposta espontânea, quando os nomes não são apresentados, Jorginho tem 24%, João Rodrigues 7%, enquanto 65% dos entrevistados permanecem indecisos. Além disso, 42% dos entrevistados disseram que ainda poderiam mudar de voto.

A campanha, portanto, começa com um favorito claro, mas não com uma eleição matematicamente encerrada.

Jorginho larga na frente — e com uma aliança ampla

O governador Jorginho Mello busca a reeleição pelo PL e terá Adriano Silva (Novo) como candidato a vice.

A coligação reúne Avante, Agir, Democracia Cristã, Federação PSDB/Cidadania, Novo, Podemos, PL e Republicanos.

É uma das duas grandes forças estruturadas em torno da direita e centro-direita catarinense e combina a máquina partidária do PL com nomes e estruturas de outras legendas.

A vantagem nas pesquisas dá ao grupo uma condição confortável para iniciar a propaganda eleitoral.

Mas há um elemento que merece acompanhamento: a força de Jorginho nas pesquisas precisa se transformar em voto efetivo, e a campanha terá mais de um mês pela frente.

Outro movimento relevante ocorre justamente agora. A Assembleia Legislativa aprovou licença para Jorginho Mello entre 29 de agosto e 5 de outubro. Durante esse período, a vice-governadora Marilisa Boehm assume o comando do Executivo estadual.

Ou seja: a partir de amanhã, o governador estará afastado do cargo durante praticamente todo o período de campanha até a véspera do primeiro turno.

João Rodrigues concentra a principal oposição

O segundo colocado na pesquisa é João Rodrigues (PSD), ex-prefeito de Chapecó, que concorre ao Governo com Carlos Chiodini (MDB) como vice.

A chapa reúne PSD, MDB e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

O desafio eleitoral de João Rodrigues é evidente nos números: ele aparece com 17%, 33 pontos atrás de Jorginho no levantamento estimulado.

Por outro lado, é o nome que hoje ocupa a segunda posição com maior distância dos demais adversários.

Isso coloca João Rodrigues no centro da disputa por um eventual segundo turno.

A pergunta que a campanha terá de responder é simples, mas decisiva: ele conseguirá transformar a força de sua aliança em crescimento nas pesquisas e aproximar-se do governador?

Merísio representa o campo progressista

A terceira força apontada pela pesquisa é a chapa de Gelson Merísio (PSB), que tem Angela Albino (PDT) como vice.

A coligação “Coragem para Mudar” reúne PDT, PSB, Federação PSOL/Rede e Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

A composição representa uma tentativa de concentrar o campo progressista em uma única candidatura ao Governo.

Mas os primeiros números mostram um obstáculo significativo: Merísio aparece com 4%.

O desafio dessa candidatura é, portanto, muito maior do que apenas crescer alguns pontos. Será necessário ampliar o reconhecimento do nome, transformar a aliança partidária em presença eleitoral e disputar um eleitorado que, neste momento, está fortemente concentrado nos dois primeiros colocados.

O Senado é outra eleição

Se a disputa pelo Governo apresenta uma liderança bastante clara, a corrida pelas duas vagas ao Senado está muito mais aberta.

Santa Catarina terá 13 candidatos disputando duas cadeiras.

Na pesquisa Quaest, considerando a soma das menções para o primeiro e o segundo votos, Esperidião Amin (PP) aparece com 19%, seguido por Carlos Bolsonaro (PL), com 16%, Carol De Toni (PL), com 12%, e Décio Lima (PT), com 9%.

Pela margem de erro de três pontos percentuais, o cenário mostra uma disputa mais apertada entre os principais nomes.

E existe uma particularidade que o eleitor precisa compreender: cada catarinense escolherá dois senadores.

Isso torna a eleição diferente da disputa pelo Governo. Um eleitor pode escolher candidatos de partidos diferentes, e a composição final das duas vagas dependerá da combinação dos dois votos de milhões de eleitores.

O Senado, portanto, ainda é um dos espaços mais imprevisíveis da eleição catarinense.

O que mudou no cenário?

As convenções partidárias encerraram um período de especulações e transformaram pré-candidaturas em chapas formalmente apresentadas à Justiça Eleitoral.

Hoje, o quadro é este:

Governo

  • Jorginho Mello (PL) — Adriano Silva (Novo)
  • João Rodrigues (PSD) — Carlos Chiodini (MDB)
  • Gelson Merísio (PSB) — Angela Albino (PDT)
  • Bruno Pedreiro (PCO) — Flávio Amaral
  • Laís Chaud (UP) — Nathália Melo
  • Marcelo Brigadeiro (Missão) — Coronel Rodrigues
  • Professor Marcus Sodré (PSTU) — Professora Taty
  • Ralf Zimmer (PRD) — Carlos Bordin

Senado
São 13 candidaturas registradas para duas vagas. Entre os nomes estão Esperidião Amin, Carlos Bolsonaro, Carol De Toni, Décio Lima, Antídio Lunelli, Afrânio Boppré e candidatos de PCO, UP, Missão, PSTU e PRD.

O eleitor começa a receber as propostas

A partir desta sexta-feira, a disputa ganha uma nova dimensão.

O horário eleitoral gratuito começa oficialmente no rádio e na televisão e terá 35 dias de veiculação no primeiro turno. Para governador, a propaganda será exibida às segundas, quartas e sextas-feiras, dentro da divisão estabelecida pela Justiça Eleitoral.

É nesse momento que o eleitor começará a receber não apenas slogans e imagens de campanha, mas também propostas, comparações, críticas e explicações sobre o futuro do Estado.

E é justamente aqui que o papel do jornalismo se torna ainda mais importante.

O que o JPC vai acompanhar

O cenário apresentado hoje não permite dizer que a eleição está definida.

Permite dizer, sim, que Jorginho Mello começa a campanha como favorito, que João Rodrigues aparece como principal nome da oposição, que Gelson Merísio tenta reorganizar o campo progressista e que o Senado apresenta uma disputa consideravelmente mais aberta.

Também permite afirmar que as alianças estaduais ficaram diferentes das alianças nacionais em diversos pontos. Partidos que caminham juntos em Brasília podem estar em lados opostos em Santa Catarina — e vice-versa.

Essa característica será fundamental para compreender a eleição a partir da AMUREL.

Porque o voto catarinense não será decidido apenas em Florianópolis. Ele será construído também nos municípios, nas regiões, nas redes de relacionamento político, nas administrações municipais e, sobretudo, na capacidade de cada candidatura de dialogar com problemas concretos da população.

A partir de agora, o Jornal Popular Catarinense acompanhará esse caminho olhando menos para a torcida e mais para os fatos.

Quem está aliado a quem?

O que cada candidatura propõe?

Quais são os interesses regionais envolvidos?

Como a AMUREL entra nesse tabuleiro?

E o que o eleitor precisa saber antes de escolher seus seis votos?

Essas são algumas das perguntas que estarão no centro do JPC | ELEIÇÕES 2026.

Porque eleição não é apenas disputa de nomes.

É disputa de projetos, alianças, ideias e, no fim, da confiança de quem vai às urnas.

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