Cão que mobilizou moradores da Guaiúba após ser encontrado em situação de abandono agora vive com novos tutores, recebe cuidados veterinários e começa uma nova história

Há histórias que começam com preocupação e terminam com esperança. A de Zeus é uma delas.
No dia 5 de agosto, o Jornal Popular Catarinense contou a história de um cão de grande porte que estava circulando pela comunidade da Guaiúba, em Imbituba, nas proximidades da Rua Gabriel Felizardo de Mello, ao lado da linha férrea. O animal, aparentemente da raça pitbull, havia sido encontrado debilitado e passou a receber água e alimento de moradores sensibilizados com sua situação.
Na época, a presença do cão gerava preocupação entre os moradores, principalmente pela falta de informações sobre sua procedência e pelo fato de ele circular livremente pela região.
Poucas semanas depois, porém, a história ganhou um novo capítulo — e, desta vez, feliz.
Zeus foi adotado.
Hoje, ele vive em Garopaba, cercado de cuidados, alimentação, acompanhamento veterinário e, principalmente, muito afeto.
❤️ Um encontro que virou adoção
A história da adoção começou de maneira inesperada.
Uma das novas tutoras conta que o cão estava sendo cuidado nas proximidades da casa de seu pai e de sua madrasta. Em uma visita ao local, ela e o esposo conheceram Zeus.
Foi amor à primeira vista.
O casal estava prestes a alugar uma casa e chegou a conversar com a imobiliária sobre a possibilidade de levar o animal, já que sabia que Zeus era um pitbull e que ainda existe muito preconceito em relação à raça.
Depois das conversas, os dois decidiram que ele faria parte da família.
Mas um novo detalhe tornou a decisão ainda mais definitiva.
A tutora soube que Zeus havia sido agredido na rua e estava machucado.
“Já era uma vontade e, depois de saber que ele apanhou na rua, a gente bateu o martelo mesmo que queria ficar com ele”, relata.
A partir dali, Zeus deixou de ser apenas o cachorro que eles haviam conhecido e passou a ser um novo integrante da família.
🐾 Um cachorro com necessidades especiais
Logo nos primeiros cuidados veterinários, a família descobriu que Zeus precisava de atenção especial.
Segundo a avaliação relatada pelos tutores, ele possui baixa visão e é completamente surdo. Um veterinário oftalmologista avaliou o animal e explicou que Zeus não é totalmente cego, mas possui uma visão bastante limitada, percebendo algumas cores, vultos e borrões.
A família também foi informada de que essas características são congênitas.
Mesmo com essas limitações, quem convive com Zeus descreve um cachorro extremamente dócil, carinhoso e tranquilo.
“Ele é muito dócil, muito bebezão. Ele chega a ser bobo”, conta a tutora.
Foi justamente essa personalidade que também despertou uma preocupação: o que aconteceria com ele caso fosse recolhido?
Os tutores ouviram comentários de que a Prefeitura poderia retirar o animal do local e ficaram receosos sobre seu destino, principalmente considerando suas necessidades especiais.
A decisão então foi tomada: Zeus iria para Garopaba.
🏡 Uma nova rotina — e uma adaptação surpreendente
A mudança também trouxe dúvidas.
Zeus havia vivido solto pelas ruas, e ninguém sabia exatamente quanto tempo ele estava nessa situação. A veterinária estimou que ele tivesse entre um e dois anos.
Para a nova família, seria uma transformação enorme: sair da rua e passar a viver em um ambiente protegido, com rotina, alimentação e um espaço delimitado.
O medo era de que ele não se adaptasse.
Mas Zeus surpreendeu.
Segundo os tutores, já na primeira semana ele estava adaptado à nova casa.
Hoje, permanece em um espaço seguro, recebe alimentação adequada e demonstra estar confortável com a nova rotina.
“Ele não parece ser um cachorro que está triste. Muito pelo contrário, ele parece estar muito confortável”, relata a tutora.
🩺 Recuperação começa pela saúde
Quando chegou à nova família, Zeus apresentava um quadro importante de desnutrição.
A avaliação veterinária apontou que ele estava bastante debilitado e, desde então, os tutores passaram a trabalhar na recuperação do peso e das condições gerais de saúde.
O animal passou por exames e, segundo a família, os resultados foram considerados satisfatórios.
A vacinação também está sendo providenciada após o período de quarentena recomendado enquanto aguardavam os resultados dos exames.
Na sequência, a família pretende realizar a castração de Zeus.
Os cuidados incluem ainda acompanhamento veterinário e atenção especial às limitações de visão e audição.
💛 “Quem salvou quem foi o Zeus”
Talvez a parte mais bonita dessa história esteja justamente na forma como os novos tutores enxergam a adoção.
Para quem vê de fora, foram eles que salvaram um cachorro que estava abandonado.
Mas, para a família, a história é diferente.
“As pessoas dizem que a gente salvou o Zeus, mas eu acho que quem salvou quem foi o Zeus que salvou a gente”, afirma a tutora.
E ela explica que o amor recebido do animal é difícil de colocar em palavras.
Mesmo com as dificuldades e deficiências, Zeus conquistou a casa, a rotina e, principalmente, o coração dos novos tutores.
“É um amor inexplicável que esse cachorro dá pra gente. Mesmo com a dificuldade que ele tem, ele é extraordinário.”
🌻 Uma história que mudou de rumo
A reportagem publicada pelo Jornal Popular Catarinense no início de agosto nasceu de uma preocupação dos moradores da Guaiúba diante de um animal que estava vulnerável e sem uma família conhecida.
Agora, a história pode ser atualizada com uma notícia que todo mundo gostaria de receber depois de uma denúncia de abandono:
Zeus não está mais sozinho.
Ele deixou as ruas, ganhou um lar em Garopaba e começou um processo de recuperação que envolve alimentação, cuidados veterinários, proteção e muito amor.
Ainda há um caminho pela frente. Recuperar o peso, concluir a vacinação, realizar a castração e acompanhar suas necessidades especiais fazem parte da nova rotina.
Mas uma coisa já mudou completamente.
Zeus agora tem uma família.
E talvez seja justamente essa a maior lição deixada por sua história: às vezes, uma vida que parecia perdida só precisa encontrar alguém disposto a enxergá-la com carinho.
Do abandono ao acolhimento. Da rua para casa. De Zeus para uma família — e de uma família para Zeus.
Jornal Popular Catarinense
Porque acompanhar uma história também é contar quando ela termina bem.









Publicar comentário