Uma reportagem publicada pela revista alemã Süddeutsche Zeitung Magazin chamou atenção para as condições enfrentadas por brasileiros que deixam o Sul de Santa Catarina para trabalhar temporariamente em sorveterias na Alemanha. Entre os entrevistados está um morador de Urussanga, que relatou jornadas que chegavam a 80 horas por semana.
O trabalhador, identificado como Mateo, contou que atua em gelaterias alemãs há oito anos e já passou por 25 estabelecimentos diferentes durante esse período. Segundo ele, apesar da mudança de locais, as condições de trabalho eram semelhantes.
À revista, o brasileiro afirmou que os funcionários enfrentam jornadas extensas e descreveu o ambiente como tóxico. Ele chegou a comparar a situação vivida pelos trabalhadores à escravidão.
Prática é conhecida no Sul de SC
A migração temporária para a Europa em busca de trabalho durante o verão é conhecida em municípios do Sul catarinense, especialmente em Urussanga e Cocal do Sul.
Os trabalhadores deixam o Brasil por alguns meses e são contratados principalmente por sorveterias italianas que funcionam na Alemanha durante a temporada de calor. A oferta normalmente inclui salário em euros, alimentação e moradia.
O problema, segundo os relatos apresentados pela publicação alemã, está na carga horária. Trabalhadores brasileiros afirmam que chegam a trabalhar mais de dez horas por dia, durante seis dias da semana.
Registro de meio período
A reportagem também aponta que alguns trabalhadores seriam registrados oficialmente como funcionários de meio período, apesar de cumprirem jornadas superiores às previstas para essa modalidade.
Outro fator destacado é a dependência criada pela relação de trabalho. Como a moradia costuma estar vinculada ao emprego, denunciar eventuais irregularidades pode significar, além da perda da renda, ficar sem o local onde o trabalhador está hospedado.
Mateo afirmou à revista que essa situação dificulta que os brasileiros procurem as autoridades para denunciar possíveis abusos.
Italianos no comando e brasileiros no atendimento
Segundo a publicação, existe uma presença marcante de empresários italianos entre os proprietários das sorveterias que empregam essa mão de obra.
A reportagem descreve um modelo que se tornou comum durante o verão europeu: clientes alemães, empresários italianos e trabalhadores brasileiros.
Para muitos moradores do Sul de Santa Catarina, a temporada representa uma oportunidade de trabalhar durante alguns meses, receber em moeda europeia e retornar ao Brasil com uma reserva financeira. Os relatos apresentados pela revista, porém, colocam em discussão o custo dessa experiência para os trabalhadores.








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