Sobrinho de Bolsonaro vai a júri popular por tentativa de feminicídio: mais um retrato da cultura de violência que o bolsonarismo ajudou a normalizar

O empresário Orestes Bolsonaro Campos, sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta nesta terça-feira (11) o Tribunal do Júri em São Paulo, acusado de tentativa de feminicídio e homicídio. O julgamento, marcado para as 9h, será conduzido pela 3ª Vara do Júri da capital paulista, após pedido do Ministério Público do Estado.

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O caso, ocorrido em outubro de 2020, escancara a face mais cruel de uma sociedade marcada pela violência de gênero e por discursos que, nos últimos anos, banalizaram o ódio e a agressividade — inclusive dentro da própria família Bolsonaro.

A violência como herança de um comportamento autoritário

De acordo com a denúncia, Orestes manteve um casamento de 17 anos com a vítima, mas não aceitava o fim do relacionamento nem o direito da ex-esposa de reconstruir a vida. O Ministério Público destacou um histórico de violência física e psicológica, resultado de uma personalidade possessiva e violenta, que já havia transformado o lar da mulher em cenário de medo constante.

Na manhã da tentativa de feminicídio, Orestes invadiu a casa da ex-companheira, armou-se com um pedaço de madeira e partiu para o ataque. A vítima, em desespero, fugiu com o filho nos braços para salvar a própria vida. Segundo o MP, o empresário também portava uma arma de fogo durante o crime.

Mesmo diante dos fatos, a defesa tenta minimizar a gravidade do episódio. O advogado Sergei Cobra afirmou que não se trata de tentativa de feminicídio, mas de uma simples “lesão corporal”.

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Um padrão de violência repetido

Orestes Bolsonaro não é réu primário em crimes contra mulheres. O empresário já foi condenado em outro processo, também em 2020, por agredir uma ex-namorada. Recebeu pena de quatro meses de prisão em regime aberto e foi obrigado a pagar indenização por danos morais.

O histórico de agressões de Orestes é, infelizmente, mais do que um caso isolado — é reflexo de um tempo em que a violência de gênero foi relativizada, e autoritarismo se confundiu com masculinidade.

O peso simbólico do nome Bolsonaro

Não é coincidência que o acusado carregue o mesmo sobrenome de quem, por anos, incitou o desrespeito às mulheres, tratou agressões com deboche e naturalizou o ódio como forma de expressão política.
O julgamento de Orestes Bolsonaro Campos é, portanto, mais do que um ato jurídico — é um ato político e simbólico: o Brasil observa se a justiça será capaz de romper com o ciclo de impunidade que historicamente protege os violentos, sobretudo quando têm sobrenomes poderosos.

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