Os rizicultores de Santa Catarina vivem um momento delicado, marcado por prejuízos financeiros e incertezas no campo. A crise enfrentada pelo setor tem relação direta com um cenário global de superprodução, que acabou derrubando os preços do grão no mercado interno.
Entre 2020 e 2023, o arroz passou por um período de valorização impulsionado pela pandemia da Covid-19 e por eventos climáticos extremos, como o El Niño. Esse contexto estimulou o aumento da produção. No entanto, na safra mais recente, a oferta superou a demanda, provocando queda acentuada nos preços em 2025.
Dados do Cepea e do Instituto Riograndense do Arroz (IRGA-RS) mostram que o valor da saca no Brasil recuou cerca de 47% ao longo do ano, saindo de R$ 99,72 em janeiro para R$ 53,06 em dezembro.
Mesmo sendo o segundo maior produtor de arroz do país, responsável por aproximadamente 9,4% da produção nacional, Santa Catarina não escapou dos efeitos da crise. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do Arroz de SC (SindArroz), Walmir Rampinelli, o principal problema é o descompasso entre o custo de produção e o preço de venda. Atualmente, produzir uma saca custa em torno de R$ 75, enquanto o valor comercializado gira em torno de R$ 50.
De acordo com o dirigente, fatores como a elevada carga tributária e a concorrência com países vizinhos, como o Paraguai — que adota regras fitossanitárias mais flexíveis — contribuem para o aumento dos custos enfrentados pelos produtores catarinenses.
Diante do cenário, representantes do setor se reuniram com o governador Jorginho Mello nesta quarta-feira (14) para discutir alternativas de enfrentamento da crise. Rampinelli avaliou o encontro como positivo e destacou a abertura do governo estadual para buscar soluções.
Entre as propostas debatidas estão a inclusão da semente de arroz no programa Terra Boa, o retorno do crédito presumido de ICMS ao produtor, investimentos em pesquisas para diversificação do consumo do grão por meio da Fapesc e a obrigatoriedade do arroz na merenda escolar das redes estaduais de ensino.
Além disso, o SindArroz articula uma reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin para tratar de estratégias que ampliem a exportação do arroz brasileiro. A ideia é fortalecer o envio do produto para países africanos, aproveitando a proximidade geográfica do Brasil em relação aos concorrentes asiáticos.










Publicar comentário