Uma investigação da Polícia Civil revelou um esquema de exploração de mulheres que, segundo as autoridades, eram mantidas em uma casa de prostituição às margens da BR-470, em Navegantes. Uma mulher apontada como administradora do estabelecimento foi presa na manhã desta quinta-feira (10).
De acordo com a investigação, as funcionárias eram submetidas a um sistema de cobranças que podia gerar dívidas de até R$ 10 mil. Entre os valores descontados estavam despesas com alimentação e bebidas, além de multas aplicadas por situações como deixar de limpar quartos ou sair do estabelecimento com clientes.
Segundo a Polícia Civil, o acúmulo das dívidas era utilizado para impedir que algumas das mulheres deixassem o local. A corporação investiga o caso como possível redução de pessoas à condição análoga à de escravo, além de manutenção de casa de prostituição e rufianismo.
Caso chegou à polícia após atuação de órgãos de assistência
A situação começou a ser identificada depois que o Conselho Tutelar e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) receberam informações sobre a presença de crianças no estabelecimento. Elas eram filhas de três funcionárias.
Para retirar as crianças e as mães do local sem levantar suspeitas, as equipes utilizaram uma estratégia de dissimulação, conhecida como “história de cobertura”. Depois que as três mulheres e os filhos foram retirados, os órgãos comunicaram o caso à Polícia Civil.
A partir dessas informações, foi instaurado um inquérito policial em 6 de julho deste ano. As investigações apontaram, conforme a corporação, que o confinamento das mulheres fazia parte do funcionamento do esquema.
Companheiro da suspeita está foragido
O estabelecimento teria como coproprietário o companheiro da mulher presa, Adelar Antônio Goldoni. Ele não foi localizado durante a operação e é considerado foragido.
Segundo a Polícia Civil, Goldoni possui uma condenação de quase 24 anos de prisão por crimes relacionados a tortura, estupro e manutenção de casa de prostituição.
Além da prisão realizada nesta quinta-feira, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão. A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Navegantes e contou com apoio de equipes de Balneário Piçarras e da Delegacia de Combate às Drogas de Itajaí.
A mulher presa foi encaminhada ao Presídio de Itajaí e permanece à disposição da Justiça. As investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos e reunir outros elementos sobre o funcionamento do estabelecimento.
A manutenção de estabelecimento destinado à exploração sexual é prevista como crime no artigo 229 do Código Penal. No caso investigado em Navegantes, a Polícia Civil também apura a existência de práticas que teriam restringido a liberdade das funcionárias por meio de dívidas e cobranças.









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