Passinho de Arte Ibiraquera encanta no Dança Catarina e celebra prêmios com emoção

O projeto Passinho de Arte Ibiraquera, que acontece na comunidade de Ibiraquera, em Imbituba, voltou a brilhar no Festival Dança Catarina, conquistando prêmios e emocionando o público com a coreografia “Ciranda dos Náufragos”, inspirada no tema da redução das desigualdades.

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Criado em 2022 como uma célula de pesquisa em dança criativa, o projeto foi implantado de forma definitiva na EEB Professora Justina da Conceição Silva em 2023. Desde então, as aulas gratuitas reúnem crianças da comunidade, realizadas nas dependências da escola e no salão da igreja local.

Idealizado e coordenado pela coreógrafa Daniela Scartazzini, o Passinho de Arte tem como propósito fomentar a expressão individual e coletiva, o autoconhecimento e o sentido de grupo e pertencimento.

“A dança é para todos e está em todos os lugares, está em nossos corpos na forma mais íntima de ser”, afirma Daniela.

Encantamento e superação no Dança Catarina

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Em sua segunda participação no Dança Catarina, o grupo levou ao palco a coreografia “Ciranda dos Náufragos”, inspirada no ODS 10 – Redução das Desigualdades. O processo criativo envolveu debates sobre o tema, leituras de poemas e escuta de músicas que refletissem sobre as diferenças sociais.

A montagem uniu elementos de “Temporal” (Sérgio Vaz) e “Os Três Mal Amados” (João Cabral de Melo Neto) à trilha “Ciranda dos Náufragos” (Federico Puppi), criando um espetáculo de contrastes entre equilíbrio e desequilíbrio, queda e recuperação, tristeza e esperança.

A emoção foi intensa quando o grupo, formado por 14 integrantes, recebeu o segundo lugar na categoria e prêmios de destaque individual.

“Foi uma explosão de alegria. Ainda choro ao lembrar das meninas se abraçando e comemorando”, contou Daniela.
Um dos momentos mais marcantes foi a conquista da bailarina Natalie Adelino Monteiro, que recebeu o primeiro destaque anunciado. “Fiquei sem acreditar. Minhas amigas me abraçavam, e quando ouvi meu nome, pulei de alegria”, relatou Natalie, ainda emocionada.

Vozes de quem vive a arte: mães e bailarinas

O brilho das apresentações também se refletiu nos olhos das famílias. As mães das bailarinas, que acompanharam de perto os ensaios e as viagens, não contiveram as lágrimas.

“Ver minha filha no palco, dançando com tanta entrega, me fez acreditar que a arte transforma de verdade. Foi impossível não chorar”, contou uma das mães, emocionada.

Outra mãe destacou o quanto o projeto tem sido fundamental para o desenvolvimento das crianças:

“O Passinho de Arte trouxe confiança, disciplina e alegria para nossas meninas. Elas se sentem pertencentes, sonham juntas e acreditam que podem chegar onde quiserem.”

As próprias bailarinas também expressaram a alegria e o aprendizado da experiência.

“Aprendi que dançar é mais do que movimento, é sentir com o corpo inteiro”, disse uma das integrantes.
“Quando a gente sobe no palco, o medo vira força e a gente entende que está representando toda a nossa comunidade”, completou outra.

Arte que transforma a comunidade

Para a comunidade de Ibiraquera, ver as crianças representando o território em um festival estadual é motivo de orgulho.

“Essas conquistas significam que vale a pena nos esforçarmos para ofertar oportunidades às nossas crianças. Elas podem tudo, só precisam saber disso e ter oportunidades”, ressalta Daniela.

O público respondeu com entusiasmo às apresentações. Mesmo sendo um grupo pequeno, os aplausos ecoaram com força no teatro, comprovando o impacto da entrega e da verdade em cena.

Além da vivência artística, o Passinho de Arte reforça o poder da coletividade.

“Aprendemos que estar junto nos faz forte. O Dança Catarina nos proporciona oportunidades de diminuir desigualdades”, destaca a coreógrafa.

Novos passos

Após o festival, o grupo já se prepara para novos desafios. Em novembro, estreia o espetáculo “Corpo Poético”, reunindo as coreografias criadas ao longo do ano.

Com o coração cheio de sonhos, o Passinho de Arte Ibiraquera segue dançando pela transformação.

“Acreditamos que todas as crianças e jovens deveriam ter oportunidades de desenvolver-se de forma integral, de explorar seus talentos e construir autoestima. Esse movimento de igualdade pode, sim, mudar o mundo”, conclui Daniela.

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