Agosto Lilás leva estudantes da EEM Engenheiro Annes Gualberto a refletirem sobre violência contra mulheres, crianças e adolescentes
Falar sobre violência exige coragem. Falar sobre ela com adolescentes exige também escuta, cuidado e a capacidade de transformar um tema difícil em uma conversa que acolha, informe e, principalmente, proteja.
Foi com esse propósito que estudantes da EEM Engenheiro Annes Gualberto participaram, na manhã desta quarta-feira, de uma atividade alusiva ao Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A conversa, porém, foi além: abriu espaço para uma reflexão necessária sobre a violência contra crianças e adolescentes e sobre o papel da informação na prevenção.
A atividade foi conduzida por Gisele Bosco, educadora emocional, terapeuta, palestrante e autora do Gibi Turma da Gigi. Gisele também é idealizadora do projeto Informar para Proteger, iniciativa voltada à promoção da cultura de paz, à prevenção da violência e ao fortalecimento das famílias.
Seu trabalho parte de uma missão especialmente sensível: tornar a prevenção acessível às crianças de maneira leve, acolhedora e eficaz. Para isso, desenvolve palestras, capacitações e projetos educativos que ajudam a transformar informação em uma ferramenta de proteção.
Quando os estudantes também constroem a conversa
Antes de começar, os próprios estudantes puderam participar da escolha da dinâmica. Algumas turmas optaram por iniciar com uma atividade; outras preferiram partir diretamente para reflexões em pequenos grupos.
Divididos, os alunos receberam perguntas para discutir situações que ainda fazem parte da realidade de muitas famílias e comunidades: por que ainda existe tanta violência contra mulheres, crianças e adolescentes? E o que pode ser feito para preveni-la e enfrentá-la?
As respostas foram construídas pelos próprios estudantes.
Mais do que encontrar respostas prontas, a proposta foi ajudá-los a identificar comportamentos, compreender diferentes formas de violência e perceber que informação, diálogo e conhecimento também são formas de proteção.
Aprender a reconhecer também é proteger
Uma das dinâmicas provocou os estudantes a identificar comportamentos tóxicos e situações de violência que nem sempre deixam marcas visíveis.
A conversa passou pela violência psicológica, patrimonial e sexual contra mulheres e também por diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes.
A Lei Maria da Penha, por exemplo, foi apresentada a partir de uma provocação: ela protegeria apenas mulheres que sofrem agressões físicas?
A resposta é não.
A legislação reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, mostrando que violência não se resume ao que pode ser visto no corpo.
Também foi abordado o Ligue 180, canal oficial de orientação e denúncia relacionado à violência contra a mulher.
A reflexão ajudou a ampliar o olhar dos estudantes: violência também pode estar no controle, na ameaça, na humilhação, na manipulação, na retirada de recursos, no abuso e em tantas outras atitudes que podem ser naturalizadas quando falta informação.
A prevenção começa cedo
Um dos pontos mais importantes da atividade foi justamente mostrar que prevenção não começa somente depois que a violência acontece.
Ela começa quando uma criança aprende que seu corpo merece respeito.
Quando um adolescente entende que controle não é amor.
Quando uma jovem reconhece que ameaça e humilhação também são formas de violência.
Quando um menino aprende que respeitar o outro não diminui sua masculinidade.
E quando famílias, escola e comunidade percebem que conversar sobre esses assuntos não significa antecipar problemas — significa preparar crianças e adolescentes para reconhecê-los e buscar ajuda quando necessário.
É nesse caminho que se insere o trabalho desenvolvido por Gisele Bosco e pelo projeto Informar para Proteger: levar conhecimento para perto das crianças e das famílias, criando espaços de diálogo que possam contribuir para uma cultura de paz e para relações mais saudáveis.
Quando a escola se transforma em espaço de proteção
Ao serem convidados a pensar em soluções, os estudantes apontaram o diálogo, a informação e atividades educativas como caminhos importantes para enfrentar a violência.
E talvez esteja aí uma das maiores forças de iniciativas como essa.
Porque uma escola não é apenas um lugar onde se aprende matemática, português, história ou ciências.
Também é um espaço onde se aprende a conviver, respeitar, reconhecer limites, perceber sinais e proteger uns aos outros.
Quando adolescentes encontram liberdade para perguntar, discordar, refletir e falar, temas que muitas vezes permanecem escondidos dentro das famílias começam a ganhar voz.
E aquilo que ganha voz pode ser compreendido.
Aquilo que é compreendido pode ser enfrentado.
E aquilo que é enfrentado pode, um dia, deixar de se repetir.
A atividade realizada na EEM Engenheiro Annes Gualberto deixa uma mensagem que ultrapassa o Agosto Lilás: a prevenção pode começar com uma conversa.
Uma conversa acolhedora.
Uma informação dita no momento certo.
Uma pergunta que faz alguém pensar.
Um adulto disposto a ouvir.
Porque a violência não precisa ser uma realidade inevitável. Às vezes, o primeiro passo para interromper um ciclo começa justamente quando alguém aprende a reconhecer o que está acontecendo — e descobre que não precisa permanecer em silêncio.








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