JPC | ELEIÇÕES 2026

O cenário catarinense entra na reta decisiva

Governo do Estado, duas vagas ao Senado e uma disputa proporcional com centenas de candidaturas colocam Santa Catarina diante de uma eleição marcada por diferentes campos políticos e alianças regionais

Santa Catarina entra na segunda metade de setembro com as candidaturas definidas e a campanha eleitoral avançando para uma fase de maior exposição pública dos candidatos. O eleitor catarinense escolherá, em 4 de outubro, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.

No Governo do Estado, o atual governador, Jorginho Mello (PL), disputa a reeleição. Também estão na corrida João Rodrigues (PSD) e Gelson Merísio (PSB), entre os nomes registrados para o cargo.

Governo de SC: três candidaturas no centro do cenário

As pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram diferenças importantes entre os candidatos, mas não devem ser confundidas com resultado eleitoral.

No levantamento Quaest divulgado em agosto, Jorginho Mello apareceu com 50% das intenções de voto, João Rodrigues com 17% e Gelson Merísio com 4%. A pesquisa ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto e foi registrada no TSE sob o número SC-00517/2026.

Já uma pesquisa Neokemp divulgada em 14 de setembro apresentou 51,2% para Jorginho Mello, 24% para João Rodrigues e 15,1% para Gelson Merísio. O levantamento teve 1.008 entrevistados e registro SC-05206/2026.

Os números são fotografias de momentos diferentes da campanha. Por isso, o acompanhamento precisa considerar instituto, período de entrevistas, margem de erro, metodologia e data de divulgação.

Senado: duas cadeiras e uma disputa com 13 nomes

Se a eleição para o Governo tem um número menor de candidaturas, a disputa pelo Senado apresenta um cenário muito mais amplo.

Santa Catarina tem 13 candidatos concorrendo às duas vagas que estarão em disputa em 2026. A lista oficial reúne nomes de diferentes partidos e campos políticos, entre eles Afrânio Boppré (PSOL), Carlos Bolsonaro (PL), Carol de Toni (PL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Lunelli (MDB) e outros candidatos.

A composição da disputa também revela uma particularidade desta eleição: dentro de determinados campos políticos existem candidaturas concorrendo pelas mesmas duas cadeiras.

No levantamento AtlasIntel/Grupo ND divulgado em 10 de setembro, considerando o cenário de dois votos para o Senado, Carol De Toni apareceu com 28,4%, Esperidião Amin com 20,2%, Carlos Bolsonaro com 14,9%, Décio Lima com 11,9% e Afrânio Boppré com 9,3%. Foram entrevistados 1.211 eleitores entre 4 e 9 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.

Como cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, a leitura dessa disputa exige atenção diferente daquela utilizada para o Governo do Estado.

A eleição proporcional

Também está em disputa a representação catarinense na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

Dados divulgados a partir do sistema de candidaturas apontam 408 candidaturas registradas para deputado estadual e 219 para deputado federal em Santa Catarina.

É nessa parte da eleição que entram as disputas por votos dentro das próprias regiões, municípios e grupos políticos.

Para o eleitor, a escolha não termina na identificação de um candidato. É necessário compreender também como funciona o sistema proporcional e como os votos são convertidos em cadeiras.

O próprio Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina disponibilizou informações explicando a diferença entre as eleições majoritárias — governador e senador — e proporcionais — deputados.

AMUREL: onde o cenário estadual encontra a política regional

Na região da AMUREL, a eleição ganha uma dimensão própria.

Municípios como Imbituba, Laguna, Tubarão, Garopaba, Imaruí, Paulo Lopes, Palhoça e os demais municípios da região formam um território politicamente diverso, no qual candidaturas estaduais e federais dependem também de articulações municipais e lideranças locais.

É nesse espaço que alianças, dobradas, apoios, agendas de campanha e presença territorial passam a ter peso na construção das candidaturas.

Para o eleitor regional, portanto, acompanhar apenas os números estaduais não é suficiente.

É preciso observar quem está articulando, quais candidatos possuem presença na região, quais propostas são apresentadas e quais compromissos públicos estão sendo assumidos.

O que observar daqui para frente

Com a campanha em andamento, alguns pontos merecem acompanhamento jornalístico:

GOVERNO
A evolução dos três principais nomes e a forma como suas campanhas apresentam propostas para o Estado.

SENADO
A disputa pelas duas cadeiras e as alianças construídas em torno das candidaturas.

DEPUTADOS
A distribuição regional das candidaturas e a formação das chamadas dobradas entre estadual e federal.

AMUREL
Os apoios municipais, agendas, lideranças e candidaturas com presença efetiva no território.

PROPOSTAS
O que cada candidatura apresenta para áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico, turismo, meio ambiente e políticas sociais.

ELEITOR
A diferença entre discurso de campanha, proposta registrada e compromisso público.

Transparência como ponto de partida

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina disponibiliza o portal Eleições 2026, onde o eleitor pode consultar informações sobre candidaturas, prestação de contas e propostas de governo.

Também é possível consultar os registros oficiais das pesquisas eleitorais. O registro no TSE permite verificar informações como contratante, período de realização, amostra e metodologia declarada.

É a partir desses dados que o JPC acompanha a eleição.

Sem transformar pesquisa em resultado.

Sem confundir promessa com realização.

E sem deixar que a disputa política substitua a informação.

A eleição que chega ao território

Santa Catarina já tem seus principais contornos eleitorais definidos. Agora, a campanha começa a ser medida também pela capacidade de chegar aos municípios, apresentar propostas e dialogar diretamente com os eleitores.

Na AMUREL, esse movimento ganha uma característica própria: a política estadual passa pelo território, pelas cidades e pelas escolhas locais.

É justamente esse caminho que o Jornal Popular Catarinense pretende acompanhar.

Política, alianças, candidatos e os caminhos de Santa Catarina a partir da AMUREL.

Porque entender uma eleição é mais do que saber quem está na disputa.

É compreender como se governa, quem pretende governar, o que está sendo proposto e como cada decisão pode chegar à vida do cidadão.

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Autoria original: Gladis Helena Santiago
Publicação original: Jornal Popular Catarinense – JPC

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