Uma combinação pouco comum entre engenharia, música e tradição religiosa resultou em um instrumento construído artesanalmente em Santa Catarina. O músico e engenheiro Alef Júlio Schaefer Cerutti, de 28 anos, dedicou oito meses ao projeto que, segundo a Fundação Catarinense de Cultura (FCC), deu origem ao primeiro órgão de tubos construído no Estado na contemporaneidade.
O instrumento tem 3,5 metros de altura, 2,2 metros de largura e aproximadamente 700 quilos. Com 196 tubos, ele foi apresentado ao público pela primeira vez na noite de quarta-feira (18), no Teatro Ademir Rosa, em Florianópolis.
A primeira audição marcou também a conclusão de um trabalho que começou no ateliê de Alef, entre peças de madeira e tubos de diferentes tamanhos. Agora, o órgão será instalado em uma igreja da região continental da capital.
Um instrumento feito para circular
Apesar das grandes dimensões, o órgão não ficará restrito a um único templo. A estrutura foi projetada para ser transportada e utilizada em diferentes espaços. Alef também planeja realizar, futuramente, um concerto ao ar livre com o instrumento.
O órgão de tubos é conhecido como o “rei dos instrumentos”. Seu funcionamento ocorre a partir da passagem de ar pelos tubos, fabricados em materiais como madeira e metal. Cada um deles é responsável por produzir diferentes notas, formando o conjunto sonoro do instrumento.
Fé, música e engenharia
A relação de Alef com a música começou ligada à própria trajetória religiosa. Desde criança, ele participou de atividades da Igreja Católica e exerceu funções como acólito, coroinha e ministro da Sagrada Comunhão.
Hoje, além de construir órgãos — atividade conhecida como organaria ou trabalho de organeiro —, ele também atua como organista. É responsável por tocar o tradicional órgão alemão da Catedral Metropolitana de Florianópolis, inaugurado em 1924.
Ao explicar por que decidiu construir um órgão em pleno 2026, Alef resume o projeto em três palavras: “fé, engenharia e música”.
Homenagem ao padre Ney Brasil
O instrumento recebeu o nome de Padre Ney Brasil, sacerdote reconhecido pela contribuição à Igreja Católica e à música litúrgica.
Segundo Alef, a escolha é uma forma de reconhecer o trabalho do religioso, que compôs diversas músicas utilizadas em celebrações no Brasil.
A intenção é que o novo órgão não seja apenas uma peça de exposição, mas continue sendo utilizado em apresentações e celebrações, levando o som do instrumento para diferentes espaços.







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