João da Vila deixa saudades e um legado de amizade, serviço e amor pelo mar

Imbituba amanheceu mais silenciosa nesta semana. A despedida de João da Vila, como era carinhosamente conhecido João Martins, deixou um sentimento de tristeza entre familiares, amigos, surfistas e todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com uma das figuras mais queridas da comunidade.

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João não era apenas mais um morador da cidade. Era daqueles personagens que ajudam a contar a história de um lugar. Sempre simples, bem-humorado e acolhedor, conquistava as pessoas pela forma leve com que levava a vida e pela amizade que cultivava por onde passava.

O amor pelo surfe nasceu ainda na juventude, inspirado pelo irmão mais velho, Ailton Martins, um dos pioneiros do esporte em Imbituba. Foi dele a primeira prancha que João recebeu, iniciando uma trajetória que atravessaria décadas e o acompanharia por toda a vida.

Mesmo durante os anos dedicados à Polícia Militar de Santa Catarina, carreira na qual construiu uma trajetória respeitada e reconhecida, João nunca se afastou completamente do mar. Por onde passou, encontrava uma forma de manter viva sua conexão com as ondas, carregando consigo a essência de surfista que sempre fez parte de quem era.

Entre tantas lembranças deixadas, uma ganhou lugar especial na memória dos amigos: a famosa prancha camuflada. Mais do que um equipamento esportivo, ela se tornou símbolo de uma história construída entre o mar, a amizade e o amor por Imbituba.

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O shaper Carlos Raposa relembrou recentemente o carinho que João tinha por essa prancha. Segundo ele, há alguns anos o amigo procurou seus serviços para restaurá-la, com a intenção de preservá-la como uma peça especial em sua casa. O encontro acabou fortalecendo uma amizade que permaneceu até os últimos dias.

Nesta semana, familiares e amigos prestaram as últimas homenagens durante o velório e a celebração realizada na Igreja Sant’Ana, no bairro Vila Nova. A despedida reuniu pessoas de diferentes gerações que compartilharam histórias, lembranças e o reconhecimento por uma vida marcada pela honestidade, pelo companheirismo e pelo amor à comunidade.

João da Vila parte deixando saudades, mas também deixa algo maior: a certeza de que algumas pessoas continuam presentes mesmo depois da partida, porque permanecem vivas nas histórias que contam, nos exemplos que inspiram e nas memórias que o tempo não consegue apagar.

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