Em Imbituba, o mar não é apenas paisagem. Ele está presente na atividade portuária, na identidade esportiva e cultural ligada ao surfe e em um dos mais importantes territórios de conservação marinho-costeira de Santa Catarina. Em setembro, essas diferentes dimensões ganharam visibilidade em um momento em que a cidade também avançou no debate sobre sua inserção internacional como destino ligado ao surfe.
O território reúne, de um lado, uma estrutura portuária responsável por movimentar cargas e conectar a região ao comércio marítimo; de outro, praias reconhecidas pela prática do surfe e pela presença da baleia-franca-austral durante sua temporada reprodutiva. Entre essas atividades existe um ponto comum: o oceano, que participa diretamente da economia, da cultura e da vida cotidiana do município.
Porto e economia
O Porto de Imbituba mantém uma posição estratégica na logística catarinense. Os dados operacionais disponíveis no portal oficial do porto registram, em 2026, movimentação de cargas e atendimento de navios ao longo do ano. Em setembro, por exemplo, a programação registrava operações com cargas como barrilha e contêineres.
A atividade portuária representa uma dimensão econômica distinta daquela relacionada ao turismo e ao surfe. Seu papel está ligado principalmente à movimentação de mercadorias, à logística e à conexão de Santa Catarina com outros mercados. O porto mantém ainda um Portal da Transparência e publica estatísticas operacionais, permitindo o acompanhamento público de suas atividades.
O surfe como atividade econômica e cultural
Em outra frente, Imbituba busca ampliar o reconhecimento de sua relação com o surfe. A World Surf Cities Network (WSCN) define uma Surf City como uma área urbana em que o surfe e sua cultura possuem papel relevante na vida local e em que a atividade relacionada ao esporte pode representar parte da economia, do emprego e da identidade cultural.
A rede afirma trabalhar com cooperação internacional, compartilhamento de boas práticas, inovação, turismo e desenvolvimento sustentável. Atualmente, o site oficial da WSCN lista cidades de diferentes países, entre elas Santos, no Brasil. Imbituba, por sua vez, avançou em 2026 no processo municipal para buscar sua integração à rede, mas a homologação internacional precisa ser tratada conforme o estágio formal da candidatura.
A discussão amplia o significado do surfe para além das competições. O esporte pode estar associado a formação de atletas, turismo, comércio, serviços, eventos, cultura e intercâmbio. Mas essa transformação em resultados econômicos concretos depende de planejamento, investimentos e políticas públicas capazes de conectar essas diferentes áreas.
Um território protegido
Ao mesmo tempo em que o município utiliza sua relação com o mar como parte de sua identidade e de suas atividades econômicas, Imbituba está inserida em uma área de elevada importância ambiental.
A Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), possui 154.867,40 hectares e abrange ambientes marinhos e costeiros do litoral sul catarinense. A unidade foi criada em 14 de setembro de 2000 e protege, além da baleia-franca, diferentes ecossistemas e espécies.
O Ministério do Turismo destaca que a APA se estende por cerca de 130 quilômetros de costa e envolve nove municípios catarinenses, entre eles Imbituba. A unidade procura conciliar conservação ambiental, turismo, atividades econômicas e a vida das comunidades que ocupam esse território.
Em setembro, período considerado de auge da temporada reprodutiva das baleias-francas, Imbituba também recebeu atividades de aproximação entre comunidade e ciência. O Instituto Australis realizou, por meio do ProFRANCA, quatro edições do Dia de Baleiólogo, nos dias 5, 12, 19 e 26 de setembro, com participação gratuita e vagas limitadas. A proposta foi permitir que o público conhecesse o trabalho de monitoramento terrestre e a pesquisa realizada durante a temporada.
O trabalho de conservação realizado na cidade é permanente. O Instituto Australis mantém em Imbituba o Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca e desenvolve pesquisas de longo prazo, incluindo a identificação individual dos animais e o acompanhamento de sua migração e reprodução.
Três faces de uma mesma cidade
Porto, surfe e conservação não são atividades equivalentes e não devem ser apresentadas como se fossem uma única política. Cada uma possui objetivos, regras e responsabilidades próprias.
O ponto de encontro está no território: Imbituba depende do mar para diferentes dimensões de sua vida econômica, cultural, esportiva e ambiental.
É justamente essa convivência que coloca um desafio permanente para a cidade. O desenvolvimento portuário precisa coexistir com um litoral ambientalmente sensível; o crescimento do turismo precisa considerar praias, dunas, lagoas e fauna; e o fortalecimento do surfe como atividade econômica precisa caminhar junto à preservação das condições naturais que fazem das ondas e do litoral um patrimônio local.
Em setembro, enquanto a cidade vivia a temporada das baleias-francas e mantinha sua atividade portuária, também avançava no debate sobre seu posicionamento internacional ligado ao surfe. São movimentos diferentes, mas que revelam a mesma característica de Imbituba: uma cidade cuja história e cujo futuro estão profundamente ligados ao oceano.
FONTES: Porto de Imbituba — dados e estatísticas operacionais; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca; Ministério do Turismo — informações sobre a APA da Baleia Franca; Instituto Australis/Projeto Franca Austral — pesquisa, monitoramento e atividades da temporada 2026; World Surf Cities Network — informações institucionais sobre a rede e o conceito de Surf City.









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