Exposição “Não Foi a Roupa” mobiliza debate sobre violência sexual na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina

A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina se transformou, nesta semana, em um espaço de reflexão profunda sobre a violência contra a mulher. Aberta ao público na Galeria Ernesto Meyer Filho, a exposição “Não Foi a Roupa” propõe um olhar sensível — e necessário — sobre uma das formas mais persistentes de injustiça: a tentativa de responsabilizar vítimas de violência sexual.

ANUNCIO

A iniciativa integra a programação do Mês da Mulher e é promovida pela Bancada Feminina do Parlamento catarinense em parceria com a Comissão da Advocacia Feminina da Associação dos Advogados Criminalistas de Santa Catarina.

A mostra reúne peças de vestuário simples, discretas e até infantis, construindo uma narrativa silenciosa, porém impactante. A proposta é direta: desconstruir a ideia de que a violência tem relação com a aparência da vítima e reafirmar que a responsabilidade recai exclusivamente sobre quem comete o crime.

Inspirada em movimentos internacionais, a exposição desloca o foco do julgamento para o acolhimento. Ao percorrer o espaço, o visitante é convidado não apenas a observar, mas a repensar percepções enraizadas e reconhecer a urgência de mudanças culturais.

A deputada Luciane Carminatti destaca que a iniciativa busca enfrentar as raízes estruturais da violência. Segundo ela, fatores como roupa, horário, idade ou local não explicam a agressão, que está diretamente ligada a uma cultura marcada pelo machismo.

Na mesma linha, a deputada Paulinha avalia que a exposição se soma a um conjunto de ações que priorizam a conscientização em vez de celebrações simbólicas. Para a parlamentar, o impacto emocional da mostra é um dos seus principais instrumentos de transformação, ao aproximar o público da realidade vivida por muitas mulheres.

Além das peças expostas, o espaço conta com materiais informativos e relatos que reforçam a importância da denúncia, do acolhimento e da construção de redes de apoio. A proposta vai além da sensibilização: busca incentivar mudanças concretas tanto no comportamento individual quanto nas estruturas institucionais.

Mais do que uma exposição, “Não Foi a Roupa” se apresenta como um chamado coletivo à responsabilidade social. Em cada elemento exibido, há uma reafirmação clara: a violência não se justifica em nenhuma circunstância.

A mostra segue aberta à visitação até o dia 16 de março, convidando a sociedade a refletir, reconhecer e transformar.

Publicar comentário