Se a primeira mudança foi estrutural, a segunda foi silenciosa — e constante.
Desde a liberação da pista, no início de 2025, o entorno da residência passou a operar como um corredor de tráfego intenso, com caminhões e veículos pesados circulando dia e noite.
O impacto vai além do incômodo.
É físico. É diário. É acumulativo.
Vídeos registrados pela família mostram o acúmulo de resíduos escuros na área da casa — fuligem, poeira e partículas resultantes do tráfego intenso.
“É isso que a gente está respirando todos os dias.”
A impossibilidade de abrir janelas, o cheiro constante e o agravamento de problemas respiratórios passaram a fazer parte da rotina.
Durante a noite, a situação se agrava.
Manobras difíceis na rotatória obrigam caminhões a parar, buzinar e dar ré. Motoristas relatam dificuldade em contornar o espaço, especialmente veículos maiores.
A cena se repete diariamente.
E, embora o problema seja vivido de forma individual, ele dialoga com um cenário mais amplo.
O mesmo relatório técnico da concessionária responsável pela CCR ViaCosteira aponta que muitos acessos ao longo da rodovia são classificados como irregulares ou não autorizados, exigindo adequações, bloqueios ou intervenções.
Além disso, diversas situações acabam sendo levadas ao Judiciário, prolongando soluções e criando um espaço de indefinição — onde a vida real segue acontecendo, mesmo sem resposta.
É nesse intervalo que histórias como essa se constroem.
Sem indenização, sem prazo claro e sem condições de permanência, a moradora precisou recomeçar em outro local, mais afastado e com custo reduzido.
Enquanto isso, sua casa permanece à beira de uma rodovia que não para.
Uma casa que ainda existe — mas que já não é mais habitável.
E um caso que levanta uma reflexão urgente:
obras públicas são necessárias.
Mas quem cuida das pessoas enquanto elas acontecem?








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