Em Imbituba, a véspera da eleição coloca lado a lado diferentes convicções. Amanhã, porém, cada eleitor estará sozinho diante de sua escolha.
Neste sábado (3), véspera do primeiro turno das Eleições 2026, a Rua Nereu Ramos, no Centro de Imbituba, ganhou as cores da disputa eleitoral.
De um lado, apoiadores do Partido Liberal (PL) levantam suas bandeiras. Do outro, militantes e apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) fazem o mesmo. São grupos diferentes, com ideias, projetos e convicções políticas distintas, ocupando o mesmo espaço público em busca de apoio para suas escolhas.
É uma cena que traduz o ambiente político vivido pelo país nesta reta final de campanha: cada grupo defendendo aquilo em que acredita e tentando convencer o eleitor.
Mas existe uma diferença fundamental entre o que acontece nas ruas hoje e o que acontecerá amanhã.
Hoje, as bandeiras são coletivas. Amanhã, o voto é individual.
No momento em que a eleitora ou o eleitor estiver diante da urna eletrônica, não haverá bandeira levantada, grito de campanha ou grupo político decidindo por ele. Haverá uma escolha pessoal.
E é justamente aí que a cidadania ganha seu sentido mais concreto.
Votar não significa apenas escolher um nome. Significa assumir uma posição diante do país, do Estado e da sociedade que cada pessoa deseja ajudar a construir. É decidir, dentro das próprias convicções, quem receberá a responsabilidade de representar a população e conduzir decisões que terão efeitos sobre a vida de milhões de brasileiros.
Por isso, a véspera da eleição também pode ser um momento de pausa.
Antes de repetir o que alguém disse, vale perguntar: o que esse candidato defende? O que já fez? O que promete? Suas propostas são possíveis? De onde vêm as informações que estou recebendo? Estou escolhendo por convicção ou apenas reagindo àquilo que ouvi de outras pessoas?
Não é necessário que todos pensem da mesma maneira.
A democracia pressupõe justamente a existência de diferentes ideias, partidos, projetos e visões de país. O que precisa existir é espaço para que essas diferenças sejam expressas sem que o direito de escolha do outro seja desrespeitado.
A Justiça Eleitoral também reforça essa dimensão cidadã. Em manifestação divulgada nesta semana, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, destacou o voto como expressão da cidadania e convocou o eleitorado a participar das eleições com serenidade, consciência e confiança nas instituições.
Neste sábado, as ruas ainda pertencem à campanha. Até as 22h, candidatas, candidatos, partidos e apoiadores podem realizar atos como caminhadas, carreatas, passeatas e distribuição de material, dentro das regras eleitorais. Depois desse horário, a propaganda eleitoral nas ruas se encerra.
Amanhã, domingo (4), começa outra etapa.
As bandeiras continuarão existindo. As diferenças políticas também. Mas a decisão estará, silenciosamente, dentro de cada seção eleitoral.
O voto é secreto. A consciência é de cada um. E a responsabilidade pela escolha também.
Que cada eleitor possa entrar na cabine de votação levando consigo não apenas uma preferência, mas também a disposição de refletir sobre o futuro que deseja para o Brasil.
Porque democracia não se faz apenas levantando bandeiras.
Faz-se também sabendo escolher, respeitar a escolha do outro e exercer, com consciência, o direito de participar.
© 2026 Gladis Helena Santiago / Jornal Popular Catarinense – JPC
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