Tem gente que não trabalha apenas para acertar. Trabalha, todos os dias, tentando desesperadamente não errar. E isso faz uma diferença enorme.
Quando o ambiente não permite falhas, qualquer tarefa simples começa a carregar um peso muito maior. A pessoa revisa tudo várias vezes, demora para tomar decisões, evita dar ideias e sente medo até de fazer perguntas. Não porque não saiba trabalhar. Mas porque aprendeu que errar pode significar humilhação, exposição, bronca ou perda de confiança.
Com o tempo, o medo vai ocupando espaço demais. A criatividade diminui. A autonomia desaparece. A pessoa deixa de experimentar caminhos novos e passa a fazer apenas o que considera seguro. Ela não trabalha mais pensando em crescer. Trabalha tentando se proteger.
Eu acredito que todo profissional precisa ser responsável pelo que faz. Mas responsabilidade não pode ser confundida com perfeição. Quem trabalha vai errar em algum momento. O que realmente importa é a forma como a empresa lida com esse erro.
Uma liderança saudável procura entender o que aconteceu, orienta, corrige e ajuda a evitar que o problema se repita. Uma liderança adoecedora transforma o erro em vergonha. E quando as pessoas têm medo de errar, elas também passam a esconder problemas, atrasar decisões e deixar de comunicar aquilo que precisa ser corrigido.
No fim, a empresa que não permite erros pode acabar criando erros ainda maiores. Um ambiente emocionalmente seguro não é aquele onde ninguém falha. É aquele onde as pessoas conseguem reconhecer uma falha, pedir ajuda e aprender com ela sem serem destruídas por isso. Porque ninguém consegue entregar o seu melhor quando passa o tempo inteiro com medo de não ser bom o suficiente.
Cláudia Russo






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