O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que há disposição mútua para um acordo comercial entre os dois países. O encontro, realizado na Malásia, marca o início de uma nova fase nas negociações bilaterais e foi classificado por Lula como “surpreendentemente bom”.
“Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo”, declarou o presidente brasileiro.
A principal pauta foi a revisão das tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras, que chegaram a 50% em alguns setores. Lula argumentou que as medidas foram tomadas com base em informações equivocadas e pediu a suspensão das taxas durante o período de negociação.
Conversas diretas e sem intermediários
Segundo Lula, o diálogo com Trump foi direto e transparente, sem intermediários. O presidente brasileiro afirmou que pretende manter contato frequente com o líder norte-americano, inclusive por telefone, para acelerar os avanços.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que as equipes técnicas dos dois países iniciarão um cronograma de negociações nas próximas semanas, com foco em setores estratégicos e na revisão das tarifas.
Venezuela e papel do Brasil como mediador
Além das questões comerciais, Lula se colocou à disposição para atuar como interlocutor entre os Estados Unidos e a Venezuela, diante da escalada de tensões. O presidente brasileiro defendeu a manutenção da América do Sul como uma “zona de paz” e afirmou que o Brasil pode contribuir com sua experiência diplomática.
Relações com China e recusa à nova Guerra Fria
Lula também comentou sobre o papel da China na reorganização da ordem mundial e reforçou que o Brasil busca manter boas relações comerciais com todas as nações. “Não aceitamos uma nova Guerra Fria”, disse, em referência ao histórico de disputas entre EUA e Rússia.
Apoio à entrada da Malásia nos Brics
Durante a visita oficial, Lula manifestou apoio à inclusão da Malásia no grupo dos Brics, que reúne países emergentes como Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e outros. O presidente destacou a receptividade do povo malaio e do primeiro-ministro Anwar Ibrahim, com quem assinou acordos de cooperação nas áreas de energia, ciência, tecnologia e inovação.
A visita à Malásia é a primeira de um presidente brasileiro em 30 anos e eleva a relação bilateral a um novo patamar.









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