A tradição da louça de barro ganhou destaque especial na 2ª Bienal do Livro de São José, reafirmando o título do município como Capital da Louça de Barro. O evento celebrou não apenas a literatura, mas também a arte ancestral da olaria, com a participação da única Escola de Oleiros da América Latina.
O mestre Ivo Sérgio dos Santos, referência na arte do barro, realizou demonstrações ao vivo de modelagem de vasos, panelas e enfeites, encantando o público — especialmente as crianças.
“Fiquei encantado com a rapidez com que o mestre fez as peças”, disse Davi Lucca Nunes de Lima, aluno do 6º ano do Centro Educacional Municipal Santa Ana.
Uma escola única na América Latina
Fundada em 1992 e mantida pela Prefeitura de São José, a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros oferece cursos gratuitos de cerâmica, modelagem e roda de oleiro tradicional. Com cerca de 200 alunos, a unidade é um centro de formação, visitação e preservação cultural.
O mestre Ivo, que aprendeu o ofício com o pai e o avô, destaca o papel da escola na continuidade da tradição:
“Meu pai e meu avô já eram oleiros, e a Escola foi fundada pela minha família.”
Cultura viva e moldável
A valorização da olaria está alinhada com o propósito de manter viva a história local. O livro “A Escola Olaria Beiramar de São José” narra essa trajetória e inspira reflexões sobre a importância da preservação cultural:
“Quando o barro seca, ele permanece. Quando a cultura seca, ela desaparece.”
O secretário de Cultura e Turismo, Toninho da Silveira, celebrou a união entre a Bienal e a Feira da Freguesia:
“São espaços complementares, onde a literatura, a arte e a convivência se encontram para fortalecer o sentimento de pertencimento e identidade cultural.”
A presença da olaria na Bienal confirma que, em São José, as mãos dos oleiros moldam mais do que utensílios — moldam a identidade de um povo.










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