O Brasil vale mais que tarifas e sanções

Planalto e Casa Branca — A foto que bolsonaristas não querem ver
Por Benedito Dias

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Tudo errado! Presumindo que o tarifaço sepultaria de vez a esquerda brasileira, os bolsonaristas investiram na mudança de Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos para, junto ao presidente Trump, promover o mal contra o Brasil. Não sei, mas esse tipo de “inteligência política” está mais para desespero, loucura — ou burrice mesmo. Sei lá, algo raro como as terras raras, que poucos têm.

Aliás, foi depois de se lembrar que o Brasil detém 26% das reservas quase intactas de terras raras do mundo — matéria-prima essencial para baterias de carros elétricos, microchips de iPhone, aço enriquecido de turbinas de avião, foguetes espaciais e outros componentes estratégicos da tecnologia mundial — que Trump percebeu que não valia a pena trocar tudo isso por um bando de lunáticos que ainda acha que a Terra é plana.

Ou seja: a química tecnológica das terras raras brasileiras fala mais alto que qualquer afinidade política com Bolsonaro.

Foi na Malásia o encontro que abalou o bolsonarismo. Veio de lá a foto que os bolsonaristas não querem ver: Lula e Trump lado a lado, sorrindo para o mundo e achando graça da cara do Edu. Se vai dar certo, ninguém sabe. Trump é mais imprevisível que a velha garoa de São Paulo — aquela que sempre aparece quando o céu promete sol e some quando a gente finalmente abre o guarda-chuva.

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A foto retrata o fim do tarifaço? É possível! E as sanções às autoridades, como ficam? Não sei! Seja o que for, venha o que vier, uma coisa é certa: o tarifaço deu ruim para Bolsonaro.

A estratégia política não funcionou.

Primeiro, o próprio mito sugeriu que poderia resolver essa parada com Trump, fazendo-lhe uma visita — visita essa permanente — se lhe devolvessem o passaporte; ele ficaria por lá mantido por pix dos “patriidiotas”.

Segundo, as conversas atravessadas do Zero Três colocaram Bolsonaro no chilindró domiciliar, com direito a uma baita tornozeleira na canela.

Terceiro, a estratégia da direita de tornar Tarcísio o homem capaz de retirar as tarifas das exportações brasileiras foi esmagada pelos socos e pontapés na disputa pelo legado político de Bolsonaro.

O clã quer um sobrenome do mito no Planalto. Não quer Tarcísio, Caiado nem Zema. Quer Michelle, que não resiste aos debates — é vazia de propostas e zerada de qualquer coisa sobre economia.

Flávio Bolsonaro tem um longo histórico de rachadinhas, mais a compra da mansão em Brasília (sabe lá com que dinheiro), e agora, com a genial sugestão “patriótica” de invasão militar americana na Baía de Guanabara, sem sombra de dúvidas, lhe assegura o repúdio do povo.

Carlos Bolsonaro é conhecido como gestor de ódio.

Deu tudo errado!

Ah, já ia me esquecendo do vereador de Camboriú! Está servindo para alguma coisa ou é só da Câmara Municipal para as baladas?

Um amigo me disse: “A família Bolsonaro se acabou!”

Sim! Moralmente, diria que sim — aliás, que moral?

Mas não podemos esquecer que Bolsonaro tem apoio, que ousam chamar de legado. Ao meu ver, legado é outra coisa: é luta, são feitos, é história.

Mas Michelle se elege senadora no DF, Flávio se reelege no Rio, os catarinenses — por razões que ninguém sabe — elegerão Carlos Bolsonaro para o Senado, e Eduardo, o Zero Três, o sabichão estratégico, inteligentíssimo, o “águia da política nacional”, será, seguramente, eleito ao cargo vitalício de patriota promotor do tarifaço.

Enquanto a direita brasileira se afunda nas próprias burrices, achando que o tarifaço sepultaria a esquerda, o mundo real mostra outro caminho: Trump e os Estados Unidos agora olham para o Brasil não pela política de Bolsonaro, mas pelo que o país realmente oferece ao planeta.

O Brasil é um gigante em terras raras — fundamentais para baterias de carros elétricos, chips, turbinas, foguetes e toda a tecnologia de ponta. Vinte e seis por cento das reservas dessa preciosidade que os EUA precisam estão aqui.

Explorar as terras raras americanas é caro e poluente; depender da China para o refino é arriscado.

Por isso, os EUA só têm um caminho: negociar com o Brasil.

Aqui, além do potencial geográfico estratégico, existe segurança jurídica, soberania reafirmada mesmo diante do tarifaço e da pressão externa, leis ambientais estruturadas e um ambiente de democracia, ética, liberdade e paz.

Tudo isso faz do Brasil uma peça indispensável para o futuro tecnológico e geopolítico americano — independentemente das trapalhadas internas da direita.

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