Em audiência pública, vice-prefeita admite que não atende certos pacientes por “problema social” e faz declarações polêmicas sobre migrantes

Durante a Audiência Pública para discussão da Lei Orçamentária Anual de 2026, realizada em 28 de novembro, a vice-prefeita de Imbituba — que acumula o cargo de secretária de Saúde — fez declarações que geraram forte repercussão, especialmente por conterem trechos interpretados como xenofóbicos e por admitir que a Secretaria de Saúde não atende determinados pacientes por considerar que a demanda seria “problema social”.

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Em sua fala, ela afirmou:

“Enquanto gestora da saúde, a gente não pode atender esses pacientes porque é um problema social.”

O trecho foi recebido com surpresa por parte do público presente, já que a Constituição Federal garante atendimento universal e integral pelo SUS, independentemente da condição social ou origem da pessoa.

Críticas ao Cadastro Único e sugestão de dificuldade proposital

A vice-prefeita ainda criticou o sistema de Cadastro Único (CadÚnico), classificando-o como “um saco sem fundo” e sugerindo que o Governo Federal cria barreiras intencionais:

“Não é qualquer profissional que pode cadastrar, até porque quanto mais dificuldade, melhor. O governo federal também. É menos um para começar a dar bolsa, dar auxílio.”

Ela reconheceu que Imbituba está com déficit de funcionários na área e anunciou a intenção de contratar três novos servidores para 2026.

Falas sobre gaúchos geram repercussão e são apontadas como xenofóbicas

Um dos trechos mais criticados da fala ocorreu quando a vice-prefeita descreveu pessoas vindas do Rio Grande do Sul utilizando expressão depreciativa:

“Se vocês forem no Arroio… lá já vem tudo gaúcho, tudo ‘nhã-nhã-nhã’, e ainda reclamando. Lá em Porto Alegre é melhor. Então, volta.”

O conteúdo do vídeo circulou rapidamente pelas redes, sendo classificado por moradores, internautas e especialistas como xenofóbico, por atribuir comportamento negativo a um grupo específico de pessoas, reforçando estereótipos e sugerindo rejeição à presença de migrantes no município.

População real x dados oficiais

A vice-prefeita também afirmou que, enquanto o IBGE aponta cerca de 50 mil habitantes em Imbituba, o sistema CISAB teria aproximadamente 70 mil pessoas cadastradas, indicando, segundo ela, que o município estaria sofrendo pressão migratória e aumento de demanda sem ampliação proporcional do repasse federal.

Afirmou ainda que, “o recurso é o mesmo, mas a população cresceu”.
A gestora argumenta que os repasses federais continuam sendo calculados com base no número oficial de habitantes — cerca de 52 mil pessoas —, valor que, em sua avaliação, não corresponde à demanda real do município. Ela também mencionou um suposto aumento de migrantes, mas não apresentou documentos ou dados oficiais que sustentem essas afirmações sobre fluxo populacional ou sobre eventual defasagem orçamentária.

Debate segue aberto

As declarações suscitaram questionamentos sobre o tratamento a pacientes considerados “problema social”, sobre o atendimento universal garantido pelo SUS, e sobre o posicionamento institucional da administração pública em relação à população migrante.

Enquanto a prefeitura insiste nesse enredo, a população continua enfrentando problemas práticos — filas, demora, falta de médicos e sobrecarga das equipes. Situações que exigem planejamento, dados e gestão, não apenas declarações vagas que afastam a discussão técnica e aproximam o debate de uma defesa política.

No fim, o que se tem é uma gestão que fala alto sobre dificuldades, mas entrega pouco em termos de transparência e soluções. E assim segue a novela: muito nhã-nhã-nhã, pouca evidência, e um discurso que insiste em transformar desafios administrativos em culpa difusa e narrativa conveniente.

Até o momento, a Prefeitura de Imbituba não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da fala nem sobre a repercussão gerada.

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