Diante da prisão preventiva do prefeito Júnior Abreu (PP), ocorrida na manhã de quinta-feira (8), durante a segunda fase da Operação Coleta Seletiva, vereadores da Câmara Municipal de Garopaba anunciaram a realização de uma entrevista coletiva e o protocolo de requerimento para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca aprofundar as investigações sobre contratos relacionados ao serviço de coleta de resíduos sólidos no município.
A coletiva foi marcada para as 17h de quinta-feira (8), no gabinete do vereador Rodrigo Prux de Oliveira (PT), na Câmara Municipal. Além de Rodrigo, participam os vereadores Atanásio Gonçalves Filho (MDB), Felippe de Souza (MDB) e Rogério Linhares (Podemos), que assinam o requerimento para instauração da chamada “CPI do Lixo”.
Em nota divulgada pelo vereador Rodrigo Oliveira, a operação policial é descrita como um desdobramento da Operação Maestro, investigação iniciada em 2024 que já incluía o prefeito entre os investigados por supostas fraudes em licitações e contratos públicos. “A ação policial evidencia a importância do trabalho investigativo das instituições de controle e reforça a necessidade de transparência na gestão pública”, afirma o parlamentar.
Rodrigo Oliveira destacou que problemas no contrato de coleta de lixo foram apontados por vereadores de legislaturas anteriores, resultando em crises recorrentes no serviço, como acúmulo de resíduos em períodos emergenciais e falta de cláusulas contratuais claras. Ao longo de 2025, o vereador levou à tribuna da Câmara preocupações sobre a política de resíduos sólidos, incluindo questionamentos sobre resistências ao seu Projeto de Lei da Compostagem, que visa reduzir a dependência de contratos tradicionais e promover soluções sustentáveis para o lixo orgânico.
“Mais do que nunca, o contexto atual reforça a relevância de debater modelos alternativos e mais transparentes de gestão de resíduos”, reitera Oliveira. Ele recebe com serenidade o avanço das investigações, reconhecendo a atuação da Polícia Civil e do sistema de Justiça, mas expressa preocupação com o momento inédito na história política de Garopaba, com um prefeito em exercício preso preventivamente sob suspeitas de corrupção.
A Operação Coleta Seletiva, deflagrada pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção do DEIC, resultou na prisão preventiva de Júnior Abreu, de um servidor municipal do setor de licitações e de um empresário do ramo de coleta e reciclagem. Também foram afastados cautelarmente dois secretários municipais e cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Garopaba e cidades vizinhas, com sequestro de cerca de R$ 1 milhão em bens.
O vereador enfatiza a importância do respeito ao devido processo legal, com apuração rigorosa dos fatos e garantia de defesa aos envolvidos. Para ele, o episódio deve servir como ponto de inflexão para fortalecer mecanismos de controle, fiscalização de contratos públicos e compromisso ético com o interesse coletivo.
A Prefeitura de Garopaba informou que aguarda acesso aos autos para se posicionar oficialmente, enquanto os serviços públicos seguem normais. A Câmara Municipal ainda não confirmou a data de análise do requerimento da CPI.









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