Varal Solidário do CDS leva mais de 4 mil peças de roupas à comunidade de Barbacena e transforma doação em escolha

Ação do Centro de Desenvolvimento Sociocultural reuniu voluntários, equipe técnica e moradores em uma iniciativa que foi além da entrega de roupas: famílias puderam escolher o que levar para casa

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Mais do que colocar roupas à disposição de quem precisa, o Varal Solidário realizado pelo Centro de Desenvolvimento Sociocultural (CDS), neste domingo (13), em Barbacena, propôs uma mudança simples, mas significativa na forma de fazer uma ação social: quem recebeu também pôde escolher.

Ao longo da tarde, voluntários e equipe técnica do CDS organizaram cerca de 4 mil peças de roupas novas e seminovas, provenientes dos excedentes da Campanha do Agasalho e de outras arrecadações realizadas pelo próprio CDS. As peças foram disponibilizadas gratuitamente para moradores da comunidade.

A iniciativa aconteceu em um território que já é conhecido pelas instituições públicas de assistência social como uma região que demanda atenção. Documentos do município de Laguna identificam o Loteamento São Judas Tadeu, no bairro Barbacena, entre as áreas com maior concentração de situações de violação de direitos e violência urbana. Outro documento público municipal, relacionado a um projeto social desenvolvido na comunidade, aponta situações de precariedade e problemas socioambientais na região.

O contexto local faz com que ações de solidariedade tenham importância que vai além da entrega de um item material.

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Dados do Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Laguna mostram que 11.550 pessoas estavam inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais em junho de 2025, o equivalente a aproximadamente 26,3% da população do município. No mesmo levantamento, 808 famílias apareciam em situação de extrema pobreza, 568 em situação de pobreza e outras 1.231 classificadas como de baixa renda.

É nesse cenário que uma peça de roupa deixa de ser apenas uma peça de roupa.

Pode representar proteção contra o frio, economia no orçamento familiar, uma roupa adequada para uma criança ir à escola, uma oportunidade de trabalho ou simplesmente a possibilidade de escolher algo que realmente faça sentido para quem vai usar.

Um dos diferenciais do Varal Solidário foi justamente não transformar a pessoa atendida em mera receptora de uma doação.

Em vez de receber uma sacola previamente montada, os moradores puderam circular entre as peças, observar tamanhos e modelos e escolher aquilo que gostariam de levar.

À primeira vista, pode parecer um detalhe.

Na prática, é uma escolha que devolve a autonomia.

“Mais do que entregar roupas, a gente quis proporcionar às famílias a oportunidade de escolher. Pode parecer um gesto simples, mas poder olhar, experimentar e decidir o que levar é também uma forma de respeito e de autonomia. Essas mais de 4 mil peças são resultado da solidariedade de muitas pessoas e, quando conseguimos fazer com que elas cheguem à comunidade de uma maneira digna, cuidadosa e respeitosa, entendemos que o nosso trabalho faz sentido. O CDS acredita que uma ação social não deve apenas atender uma necessidade, mas também fortalecer vínculos e valorizar as pessoas que estão sendo atendidas”, afirma Preto Lauffer, diretor do Centro de Desenvolvimento Sociocultural (CDS).

Para uma família que enfrenta dificuldades financeiras, poder escolher uma roupa adequada ao próprio tamanho, ao gosto pessoal ou à necessidade daquele momento significa preservar algo que muitas vezes é deixado de lado em ações emergenciais: a capacidade de decidir.

A lógica é simples: solidariedade não precisa significar retirar da pessoa o direito de escolher.

O CDS aposta justamente nessa perspectiva ao aproximar assistência, acolhimento e respeito.

As peças disponibilizadas no Varal Solidário chegaram ao CDS por meio de diferentes mobilizações. Parte delas foi arrecadada durante a Campanha do Agasalho e permaneceu em estoque após o atendimento das demandas mais imediatas.

Em vez de deixar esse material parado, o time do CDS encontrou uma maneira de fazê-lo voltar a circular dentro da comunidade.

O resultado também dialoga com uma preocupação ambiental: prolongar a vida útil das roupas, reduzir o desperdício e fazer com que itens ainda em boas condições encontrem novas pessoas para utilizá-los.

Assim, a ação reúne três dimensões em uma mesma iniciativa: solidariedade, sustentabilidade e dignidade.

A escolha de Barbacena para receber a ação também não aconteceu por acaso.

O CDS já mantém relação com a comunidade e desenvolve iniciativas voltadas ao atendimento de demandas sociais. O CDS também atua em outras frentes de assistência e mobilização, ampliando a atuação para além da distribuição de bens.

Segundo informações divulgadas pela própria iniciativa e repercutidas pela imprensa local, desde janeiro o CDS já realizou ações que resultaram na distribuição de mais de oito toneladas de alimentos, além de fraldas geriátricas, cadeiras de rodas e outros equipamentos.

A iniciativa também desenvolve ações relacionadas à prevenção da violência contra a mulher e à inclusão de mulheres em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho.

Esse histórico ajuda a explicar o sentido do Varal Solidário: a roupa é a parte visível de uma iniciativa que busca fortalecer uma rede de cuidado.

O trabalho do CDS também carrega uma característica que está na essência de cada iniciativa realizada: trata-se de uma iniciativa construída e mantida por pessoas que acreditam na transformação social. O Centro de Desenvolvimento Sociocultural não conta com apoio governamental, emendas parlamentares, editais ou recursos de leis de incentivo para realizar suas ações. As iniciativas são viabilizadas a partir da mobilização, da solidariedade e da participação de pessoas e parceiros que também acreditam na transformação social. É, como define o próprio propósito do CDS, a comunidade pela comunidade, para a comunidade — uma rede que nasce das necessidades reais do território e se fortalece pela disposição coletiva de ajudar.

Existe uma diferença importante entre simplesmente entregar algo e construir uma ação em que as pessoas participam da escolha.

No primeiro modelo, a pessoa recebe aquilo que alguém decidiu que poderia ser útil.

No segundo, ela participa da decisão.

É justamente nessa diferença que está uma das principais mensagens deixadas pelo Varal Solidário do CDS.

Escolher uma roupa pode parecer pouco. Para quem recebe, pode significar muito.

Pode significar olhar para uma arara e encontrar exatamente o tamanho que serve.

Escolher uma peça para um filho. Encontrar uma roupa para uma entrevista de emprego.

Levar algo de que realmente gostou.

E, principalmente, ser tratado não apenas como alguém que precisa de ajuda, mas como alguém que tem preferências, necessidades e autonomia.

O Varal Solidário é mais uma das ações realizadas pelo Centro de Desenvolvimento Sociocultural (CDS) ao longo do ano e reforça uma proposta de atuação baseada na mobilização da comunidade, no aproveitamento responsável das doações e na aproximação entre quem pode ajudar e quem precisa de apoio.

Para o CDS, a solidariedade não termina quando uma doação é entregue. Ela continua quando o recurso chega a quem precisa, quando a pessoa é ouvida e quando pode participar das decisões sobre aquilo que recebe.

E novas ações devem continuar sendo anunciadas pela equipe.

Quer acompanhar as próximas campanhas, projetos e iniciativas do Centro de Desenvolvimento Sociocultural? Siga o CDS no Instagram: @cds.laguna.

Porque, no fim, um varal cheio de roupas é apenas o começo. O que realmente importa é a rede de pessoas que se forma ao redor dele.

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