O governo do prefeito Michell Nunes atravessa um momento delicado em Imbituba. A gestão, que iniciou com discurso otimista, hoje parece operar com o freio de mão puxado, enfrentando dificuldades que muitos já classificam como inéditas no município. Promessas não faltaram durante a campanha, mas a execução tem sido tímida e aquém das expectativas criadas junto à população.
O pouco que vem sendo entregue pela administração não tem conquistado a confiança da sociedade. Há uma percepção crescente de distanciamento entre o governo e os anseios reais da comunidade. Enquanto isso, apenas um grupo restrito segue defendendo e aplaudindo algumas ações pontuais do Executivo.
Nos bastidores, o clima é de atenção. Um grupo de empresários e lideranças políticas contratou recentemente uma pesquisa para medir a temperatura do atual cenário político em Imbituba. Os dados ainda não foram divulgados, mas a expectativa é grande.
Na próxima semana, novas informações devem vir à tona, trazendo números sobre a aceitação do prefeito e de sua gestão. Até lá, o sentimento predominante é claro: a avaliação geral do governo é complicada — e sinais de mudança já começam a ser cobrados.
CULPADOS
Afinal, de quem é a culpa pelo momento difícil do governo Michel Nunes? A resposta não é simples. Parte recai sobre o Executivo, que ainda não conseguiu transformar boas intenções em resultados concretos. Outra parte, inevitavelmente, passa pelo Legislativo e pelas lideranças políticas que apostaram em um nome sem experiência na gestão pública.
Nos bastidores, o clima já mudou. Informações indicam que vereadores e aliados têm se afastado, evitando inclusive aparições públicas ao lado do prefeito para não associar suas imagens a um governo visto como mediano. O desgaste é visível.
O primeiro ano passou sem entregas relevantes, e o segundo começa pressionado pelo calendário eleitoral, que limita a captação de recursos e novos convênios. O tempo é curto.
Michel Nunes é reconhecido como uma pessoa honesta e trabalhadora. Mas política exige mais: experiência, articulação e capacidade de gestão. Ainda há tempo de corrigir a rota — mas o relógio corre contra.
INÉRCIA
O que se vê em Imbituba hoje é um cenário de inércia preocupante. A Câmara de Vereadores assiste passivamente, com pautas frágeis e pouco impacto real na vida da população. Os órgãos de controle praticamente inexistem na prática, enquanto entidades que antes eram atuantes, como Observatório Social, OAB, CDL e ACIM, desapareceram do debate público.
O resultado é uma cidade sem cobrança, sem pressão e sem rumo. Nem mesmo datas simbólicas, como a Páscoa, tiveram qualquer atenção — algo inédito para o município.
Enquanto isso, decisões questionáveis avançam sem resistência. O investimento de cerca de R$ 1,5 milhão em um campeonato de surf levanta uma pergunta simples: era prioridade? Com esse valor, seria possível ampliar acesso a medicamentos, exames, moradia e melhorias em escolas e espaços públicos.
Falta o básico. Falta banco em praça, limpeza em ponto turístico, lixeira onde há circulação de pessoas. Falta gestão.
E o mais grave: sobra silêncio.
CENÁRIO CATARINENSE
O tabuleiro da política catarinense para 2026 começa a ganhar contornos mais definidos — e também mais tensos. De um lado, Jorginho Mello já entra em campo com chapa praticamente fechada, tendo Adriano Silva como vice e os nomes de Carlos Bolsonaro e Carol De Toni ao Senado. Enquanto isso, João Rodrigues PSD segue travado na articulação, à espera da decisão do MDB sobre seu vice. Os nomes mais fortes hoje são Antídio Lunelli e Carlos Chiodini, mantendo o suspense interno do partido. Já no campo da esquerda, houve um movimento raro: união. A chapa liderada por Gelson Merisio PSB, com Ângela Albino PDT de vice, tenta consolidar um bloco competitivo. Para o Senado, entram Décio Lima PT e Alfrânio Boppré PSOL. Nos bastidores, o jogo pesado gira em torno do MDB, peça-chave para qualquer segundo turno. Jorginho sabe o risco: historicamente, quem lidera no primeiro turno nem sempre leva. Por isso, insiste na aliança — mesmo com sinais de desgaste. Se ficar de fora, o MDB pode redesenhar completamente o cenário eleitoral.
TABULEIRO NACIONAL
O cenário político nacional segue marcado por incertezas e articulações ainda em aberto para 2026. Até o momento, apenas Luiz Inácio Lula da Silva aparece com a chapa praticamente definida, mantendo Geraldo Alckmin como vice na tentativa de reeleição.
No campo da direita, a fragmentação é evidente. Flávio Bolsonaro busca construir alianças e chegou a sondar Romeu Zema para vice, mas encontrou resistência, já que o mineiro não abre mão de disputar a cabeça de chapa.
Com isso, o Partido Novo deve manter candidatura própria, ampliando ainda mais a divisão entre os conservadores. Paralelamente, Ronaldo Caiado PSD articula uma composição com Gilberto Kassab como vice, tentando viabilizar uma alternativa competitiva.
Como se não bastasse, mais um nome surge no radar. O ex-ministro Ciro Gomes, agora filiado ao PSDB, é apontado como pré-candidato após sinalização de Aécio Neves, indicando uma tentativa do partido de retomar protagonismo nacional.
O resultado, por ora, é um cenário pulverizado, com excesso de candidaturas da direita com vaidades políticas e poucas definições concretas rumo ao Planalto, porém com vantagem a Lula que corre pela esquerda sozinho.
#RAPIDAS#
• TUBARÃO: O vereador Matheus Madeira (PT) fez duras críticas ao prefeito Soratto Júnior após a realização de dispensa de licitação para a compra de equipamento de internet via satélite, destinado ao carro oficial de luxo do gabinete do prefeito.
• LAGUNA: O TCE/SC aplicou multa de R$ 14.333,54 à ex-presidente da Câmara de Vereadores, Tanara Cidade (PT). A penalidade decorre do descumprimento dos acórdãos nº 60/2026 e nº 213/2024.
• IMBITUBA: Conforme antecipado na semana passada, a temperatura na Zimba segue aumentando gradativamente, e a expectativa é de esquentar ainda mais. Isso sem que o “El Niño” sequer tenha chegado.
• GAROPABA: A desembargadora do TJSC, Ana Lia Moura Lisboa, manteve as medidas cautelares anteriormente impostas ao prefeito Júnior Abreu (PP) e ainda determinou o uso de tornozeleira eletrônica.
• SÃO JOSÉ: A Prefeitura voltou a ter as contas reprovadas pelo TCE/SC, mesmo após tentativa de reversão. A rejeição pode tornar o prefeito Orvino Coelho inelegível.
• REGIÃO: O Partido Novo já conta com dez pré-candidatos a deputado estadual e federal na região Sul. Na região dos Lagos, o destaque é Júlia Juliano, de Garopaba.
• ZEBRÃO: Marcelo Brigadeiro, do Partido Missão e pré-candidato ao Governo de Santa Catarina, vem chamando atenção do público da direita mais radical. Em seus discursos, não poupa críticas aos demais pré-candidatos. Estaria surgindo um novo “bombeiro” no cenário catarinense?










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