O caso do pitbull abandonado na Ribanceira, em Imbituba, ganhou novos desdobramentos nesta semana e segue expondo falhas na condução do atendimento por parte do poder público.
Após semanas de denúncias, sofrimento do animal e conflitos na comunidade, voluntárias que vinham tentando ajudar de forma comunitária levaram o cão até a unidade de Bem-Estar Animal do município. A decisão foi tomada diante do esgotamento físico e emocional das pessoas envolvidas, do agravamento do estado de saúde do animal e do risco crescente à segurança de moradores e outros cães.
Segundo as protetoras, a medida foi extrema e necessária, já que, apesar de existir decisão judicial determinando o recolhimento do animal, adestramento e acompanhamento com participação das protetoras, o cumprimento integral da ordem não havia ocorrido até então.
Contradições e falta de comunicação
Durante o acompanhamento do caso, surgiram divergências entre informações repassadas oficialmente e a realidade constatada por quem acompanhava o animal diariamente. Um dos pontos levantados pelas protetoras foi a falta de comunicação sobre o fato de o cão estar chipado — informação que não havia sido repassada a elas.
A existência do chip, longe de isentar responsabilidades, reforça o vínculo do animal com o poder público e a obrigatoriedade de acompanhamento, controle e atendimento adequado, conforme previsto em lei.
Além disso, voluntárias afirmam que:
- não houve avaliação veterinária presencial prévia ao agravamento do quadro;
- prazos judiciais não foram cumpridos;
- promessas sucessivas de solução não se concretizaram;
- a responsabilidade pelo cão acabou sendo informalmente transferida para cidadãs que apenas tentavam evitar uma tragédia.
Pressão sobre voluntárias e risco à comunidade
Uma das moradoras que tentou conter o animal em sua residência relata que o pitbull não permanecia no cercado improvisado, fugiu diversas vezes, quebrou portão e entrou em conflito com outros cães. Mesmo sem ser responsável legal pelo animal, ela passou a sofrer cobranças e ameaças por parte de moradores.
“O cachorro precisa de atendimento, está machucado e estressado. A gente tentou ajudar, mas não aguenta mais ser responsabilizada por algo que é obrigação do poder público”, relatam as protetoras.
O cenário envolve dois riscos claros: o sofrimento contínuo do animal e a possibilidade de novos incidentes com pessoas e outros animais.
Cobrança por cumprimento da decisão judicial
O Jornal Popular Catarinense reforça que há decisão judicial em vigor, determinando providências claras por parte da prefeitura. A ida do cão ao Bem-Estar Animal, feita por voluntárias exaustas, não substitui nem encerra as obrigações legais do município.
A redação cobra:
- atendimento veterinário imediato e transparente;
- cumprimento integral da decisão judicial;
- definição clara sobre o destino e o acompanhamento do animal;
- proteção às voluntárias e moradoras envolvidas;
- comunicação oficial e documentada sobre cada etapa do processo.
O JPC seguirá acompanhando o caso e publicará novos desdobramentos assim que houver posicionamento oficial ou medidas concretas.










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