O peso invisível do final de ano

    Dezembro chega como um portal. Não é apenas o encerramento de um ciclo, mas é como se o ano inteiro fosse um grande livro, e o último capítulo viesse com este mês. A cada luz que pisca, uma lembrança acena. A cada música que toca, um pedaço de nós revive aquilo que ficou pelo caminho. Dezembro não cobra, ele apenas mostra. E, às vezes, o simples ato de olhar para dentro já pesa mais do que qualquer noite mal dormida.

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    Há algo de mágico nesse mês. O ar ganha aquele cheiro de despedida misturado com o cheiro do renascimento, encorpado com esperanças para um ano que vem e reflexões de um ano que está se acabando. Porque dezembro não exige finais perfeitos. Ele apenas convida. Convida a recolher os pedaços, a honrar as batalhas internas, a reconhecer a beleza de ter caminhado mesmo com o vento contrário. Convida a perceber que nenhuma vida cabe inteira em metas e pressões.

     O peso invisível do final de ano não é inimigo. Ele é um mensageiro. Vem avisar que é tempo de repouso, de silêncio fértil, de deixar que o corpo e a alma se encontrem novamente. Vem lembrar que há coisas que precisam ser soltas, outras que precisam ser agradecidas, e muitas que merecem apenas ser sentidas. É a memória do percurso. É a alma pedindo fôlego depois de doze meses de batalhas silenciosas. É o corpo lembrando que também merece uma pausa, cuidados e gentilezas.

    Os dias passam rápido demais, as semanas se encurtam, o tempo parece correr sem pedir licença. E nós vamos correndo junto, tentando fechar caixas, projetos, expectativas… como se a vida exigisse que tudo ficasse “resolvido” antes que o ano acabe. Mas o fim do ano, não deveria ser um tribunal emocional. Ele é, na verdade, uma travessia. Um ponto de descanso entre o que fomos e o que desejamos ser. Nada precisa estar totalmente concluído, nada precisa caber perfeitamente no calendário.

     E talvez este seja o verdadeiro convite de dezembro: encerrar o ano não com pressa, mas com presença. Não com cobranças, mas com carinho. Reconhecendo que, mesmo quando achamos que fizemos pouco, sobrevivemos a muito. Crescemos em lugares que ninguém vê. Florescemos em dores que ninguém sabe.

Cláudia Russo – CEO da Burnout Empresarial, escritora, palestrante, implementadora da nova NR1, especialista em saúde mental corporativa e no combate ao burnout,.

F: (48) 996241470

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