Confira a coluna de Alésio dos Passos
O “pega-pinto”, também conhecido por nomes populares como amarra-pinto, erva-tostão, bredo-de-porco, tangaratá e yerba/tutón (na Argentina), é uma planta de grande relevância na medicina tradicional de diversas culturas. Perene e rasteira, a planta pode atingir até um metro de altura e é encontrada no Brasil, em países vizinhos e na Índia, onde é conhecida como punarnava — termo em sânscrito que significa “renovar”, referência à sua capacidade de revitalizar o corpo e a saúde.
Partes utilizadas
Folhas, flores e raízes são as principais partes aproveitadas para fins medicinais e alimentares. No Paraguai, por exemplo, a raiz é adicionada ao tererê, enquanto folhas e raízes são utilizadas em decocções para tratar diversas condições de saúde.
Uso etnobotânico e benefícios
Tradicionalmente, o pega-pinto é conhecido como planta da longevidade e da beleza. Entre seus usos populares estão:
- Sistema urinário: combate infecções, auxilia na eliminação de cálculos renais e vesiculares, promove depuração dos rins e do sangue.
- Digestão: alivia indigestão, flatulência, sensação de queimação no estômago, diarreia contínua e icterícia.
- Parasitas e feridas: raízes amassadas usadas como cataplasma para bicho do pé e vermes intestinais; folhas para gargarejos em inflamações de garganta e faringite.
Na Índia, o punarnava tem aplicação ainda mais ampla, sendo utilizado para anemia, inflamações, doenças hepáticas, fortalecimento de cabelos e dentes, prevenção de osteoporose, melhora da memória, alívio de dores de cabeça, calmante do sistema nervoso e proteção contra o crescimento de tumores.
Composição química e propriedades terapêuticas
O pega-pinto possui ação diurética, hepática, antiparasitária, antiespasmódica, antimicrobiana, colagoga, hepatoprotetora, anti-hemorrágica e auxilia no tratamento de dispepsia e hidropisia.
Reflexão sobre o uso de plantas medicinais
No passado, comunidades conheciam bem as plantas ao redor de suas casas, utilizando-as como uma verdadeira farmácia viva. Hoje, a medicina moderna foca em remédios químicos, muitas vezes desnecessários. Plantas como o pega-pinto oferecem alternativas seguras e eficazes, desde que o uso seja orientado por conhecimento científico e popular. Caminhadas botânicas e capacitação de profissionais são caminhos para resgatar esse saber.
Cuidados e contraindicações
Embora considerada segura, o uso excessivo pode causar náusea, vômitos ou alergias. Mulheres grávidas ou em lactação e crianças menores de seis anos devem evitar seu consumo. Não há informações suficientes sobre interações com medicamentos farmacêuticos.
O pega-pinto demonstra como a sabedoria popular e a ciência podem se complementar, revelando plantas medicinais que, além de promover saúde, carregam histórias e tradições culturais de povos que souberam preservar o contato com a natureza.








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