Por Benedito Dias
Pensei cuidadosamente antes de dedicar tempo à fala da influenciadora digital Duda Schusterr. Calculei o grau de conhecimento, porque acho pouco inteligente, sobretudo em um país de dimensões continentais e grande diversidade cultural, como o Brasil, achar que tudo é ou tem que ser igual.
O Brasil não é uma ilha, e Goiás possui uma formação histórica marcada por povos originários, pela atuação dos bandeirantes, pela mineração, pela agropecuária e pelo desenvolvimento ferroviário – elementos que contribuíram para a construção de sua identidade. Trata-se de um estado próspero, com cultura própria, e cuja capital, Goiânia, apresenta características urbanas e sociais que em nada correspondem ao estereótipo apresentado. Ainda assim, opto por responder à declaração, não por impulso, mas como forma de questionar uma visão precipitada e reducionista.
“Gente, eu cheguei na roça.”
Foi a impressão que a influenciadora teve ao desembarcar em Goiânia. Há pessoas que, para alcançar esse nível, precisam desenvolver muito. Bobagem evoluída.
Goiânia já foi chamada de “fazenda asfaltada” por um ícone da música nacional — mas isso faz tempo. Já era para o preconceito ter deixado de ser “pré” e, ao menos, ter adquirido alguma sofisticação.
A influenciadora pediu desculpas — o que, por si só, já representa um avanço. Reconhecer o erro é sempre um bom começo. Sua justificativa, porém, acabou revelando mais do que explicou:
“Eu não sabia que Goiânia era assim… era tão bonito.”
Como diria Nelson Rodrigues, “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade”.
Ao desembarcar na capital, Duda Schusterr disse ter chegado numa roça. Poderíamos rir. Mas rir, nesse caso, seria elogiar a falta de noção. A influencie ironiza o estilo de vida do povo goiano e demonstra surpresa ao não encontrar boi na rua. Boi na rua? Ah tá, em tendi…!
O governador Ronaldo Caiado reagiu com elegância ao convidá-la a conhecer melhor o Estado. Talvez essa seja, de fato, a melhor resposta à desinformação.
Quem sabe um dever de casa simples ajude nossa analista de urbanismo: conjugar o verbo “roçar” antes de tentar definir o que é “roça”.
Se quiser conhecer uma capital que é referência em moda, polo da música sertaneja, gastronomia forte, crescimento urbano consistente e qualidade de vida acima da média, pode voltar.
Goiânia não é roça. Mas também não faz questão de ser compreendida por quem ainda nem conseguiu sair dela — mesmo morando em outro lugar.”










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