Os tradicionais telefones públicos, que por décadas fizeram parte da paisagem urbana brasileira, têm data marcada para sair definitivamente de cena. A partir de 2026, os orelhões começarão a ser retirados das ruas em todo o país, encerrando um ciclo histórico da comunicação no Brasil.
De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil aparelhos espalhados pelo território nacional. A maior parte está concentrada em São Paulo, enquanto Santa Catarina aparece com um número bastante reduzido: apenas 94 orelhões registrados.
O fim dos telefones públicos ocorre após o encerramento das concessões da telefonia fixa. Com isso, as operadoras Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixaram de ter obrigação legal de manter os equipamentos em funcionamento nos espaços públicos.
Presença residual em cidades pequenas
Em Santa Catarina, todos os orelhões remanescentes são operados pela Oi. Dos 94 aparelhos existentes, 65 constam como ativos e 29 estão classificados como “em manutenção”, segundo dados oficiais da Anatel.
A maior parte está instalada em municípios de pequeno porte, geralmente em áreas rurais ou comunidades afastadas, com um ou dois aparelhos por localidade. Mafra, no Norte do Estado, lidera a lista catarinense, com seis telefones públicos ainda registrados.
Em cidades maiores, como Florianópolis, os orelhões praticamente desapareceram ou ganharam novos usos simbólicos. Um exemplo é a carcaça de um antigo aparelho transformada em peça expositiva no Museu do Lixo, reforçando o caráter histórico desses equipamentos.
Retirada gradual e exceções até 2028
A retirada dos orelhões será feita de forma progressiva ao longo de 2026, priorizando aparelhos danificados, desativados ou sem uso frequente. No Brasil, mais de 33 mil ainda aparecem como ativos e cerca de 4 mil seguem em manutenção.
No entanto, a extinção não será imediata em todas as regiões. Em localidades sem cobertura de telefonia móvel ou outras alternativas de comunicação, as empresas deverão manter o serviço de voz — inclusive por meio de orelhões — até o fim de 2028, em regime privado.
Ícone da memória urbana brasileira
Criados em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, os orelhões se tornaram um símbolo nacional. O formato oval, pensado para melhorar a acústica e reduzir ruídos externos, acabou sendo replicado em outros países, como Peru, Angola, Moçambique e China.
Embora tenham perdido a função prática com a popularização dos celulares, os telefones públicos seguem presentes na memória coletiva. Recentemente, voltaram aos holofotes ao integrar o cartaz do filme O Agente Secreto, indicado pelo Brasil ao Oscar 2026, reforçando seu valor cultural e histórico.










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