Polícia Civil desmantela rede criminosa que administrava clínicas de reabilitação clandestinas no Litoral catarinense; bens superiores a R$ 1 milhão foram bloqueados
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (2) expôs um esquema brutal de internações forçadas e violência praticado por responsáveis por clínicas de reabilitação clandestinas em Santa Catarina. A ação, batizada de Operação Barbacena, partiu da Delegacia da Comarca de Imbituba e revelou um cenário de terror vivido por pacientes que eram capturados à força, sedados e mantidos em condições desumanas.
Disfarçados de policiais, criminosos capturavam pacientes à força
A investigação apontou que integrantes do grupo se passavam por agentes de segurança para abordar e recolher pessoas supostamente dependentes químicas. Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram coagidas, agredidas e dopadas contra a própria vontade antes de serem levadas às clínicas clandestinas.
A operação teve início após uma vistoria da Prefeitura de Imbituba, motivada por inúmeras denúncias de famílias e pacientes que relataram internações compulsórias ilegais, maus-tratos e impedimento de saída das unidades.
Mandados cumpridos em quatro cidades e bloqueio milionário
Na manhã desta terça-feira, equipes policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em Garopaba, Itapema, Balneário Camboriú e Porto Alegre (RS). A Justiça determinou o bloqueio de bens, veículos e valores que ultrapassam R$ 1 milhão, pertencentes aos envolvidos.
Violência, contenção física e sedação como “tratamento”
Durante as diligências, a Polícia Civil constatou que os internos recebiam medicamentos sob coerção, aplicados muitas vezes por outros pacientes — chamados de “apoios” — sem qualquer supervisão médica. As agressões físicas eram tratadas como método disciplinar e a alimentação fornecida era insuficiente em quantidade e qualidade.
A delegada responsável pelo inquérito, Susana Seibel Kloeckner, relatou que nas primeiras vistorias não foram encontrados prontuários, receitas, fichas de acompanhamento ou qualquer documentação mínima obrigatória. Somente nesta segunda fase da operação é que surgiram documentos relacionados à contratação de funcionários e entrada de pacientes.
Unidades eram usadas para ocultar internos após fiscalizações
A investigação também mostrou que a organização criminosa remanejava pacientes para outras clínicas assim que alguma delas era alvo de fiscalização. Internos chegaram a ser deslocados de Imbituba para Garopaba e Itapoá para evitar flagrantes de irregularidades.
Familiares pagavam cerca de R$ 3 mil mensais pela internação e mais R$ 5 mil pelos serviços de “remoção” — prática considerada pela Polícia como sequestro, já que ocorria sem consentimento da pessoa levada.
Vida de luxo financiada pelo sofrimento alheio
Enquanto os pacientes viviam em condições degradantes, os responsáveis pelo esquema ostentavam carros de luxo, imóveis caros e padrão de vida elevado, todos sustentados pelo dinheiro das internações clandestinas.
Um dos empresários foi preso preventivamente em Porto Alegre. Outros dois investigados continuam foragidos e já respondiam a processos por sequestro devido a internações forçadas anteriores.










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