Vapor Pallas: naufrágio de 131 anos ainda desafia o Porto de Itajaí

Submerso desde a Revolta Armada, o navio Pallas se tornou parte da história e um obstáculo estratégico para o crescimento portuário de Santa Catarina

ANUNCIO

No fundo do rio que divide Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte catarinense, repousam os destroços do vapor Pallas. A embarcação inglesa, construída em 1891 e considerada moderna para sua época, afundou em 25 de outubro de 1893, durante a Revolta Armada. Mesmo após 131 anos, o navio permanece no leito do rio, coberto por lama, ferro e madeira, impondo desafios à navegação de grandes embarcações no terceiro maior porto de contêineres do Brasil.

Historiadores apontam que o naufrágio ocorreu após o comandante se recusar a apoiar os revoltosos que buscavam derrubar o então presidente Floriano Peixoto. Após o acidente, o Pallas foi saqueado e perdeu parte de seus objetos de valor.

O Complexo Portuário do Itajaí, formado pelo porto público e mais sete terminais privados, movimentou em 2024 cerca de 14,17 milhões de toneladas, representando 13,03% do mercado nacional. Hoje, a estrutura só perde em relevância para os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Com o anúncio de um pacote de investimentos de R$ 689 milhões, feito em maio deste ano, a expectativa é que a retirada dos destroços do Pallas ocorra até janeiro de 2026. A ação integra um conjunto de melhorias que devem ampliar a capacidade do complexo até 2030, permitindo a atracação de navios de até 400 metros de comprimento.

ANUNCIO

Atualmente, Itajaí recebe em média 900 embarcações por ano e espera aumentar esse número em 35% após as obras. Já Navegantes projeta expandir sua movimentação anual de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs (unidade equivalente a contêineres de 20 pés).

Questionada sobre o destino do navio após a retirada, a Superintendência do Porto de Itajaí informou que ainda não há definição.

Publicar comentário