Por Benedito Dias
Eu nunca busquei informações detalhadas sobre essas Bets, mas via com reserva o marketing desses jogos online livres seduzindo o povo brasileiro. Nunca vi ninguém dizendo: “Ganhei”.
Criadas pela Lei 13.756/2018, originada de MP do governo Michel Temer, as Bets teriam que ser regulamentadas para, a partir da regulamentação, gerar impostos e possibilitar a fiscalização. Mas durante o governo Bolsonaro isso não aconteceu. Funcionaram normalmente, gerando bilhões de reais para as plataformas gestoras e nem um centavo de impostos para o governo.
Nesse ínterim, as famílias brasileiras — jovens principalmente — se afundaram em débitos e até se tornaram escravas de agiotas. As Bets funcionaram como drogas químicas, viciando o jogador que se obrigava a contratar empréstimos e tomar dinheiro com agiotas a juros exorbitantes para investir nos jogos online, esperando um retorno que nunca vinha.
Inicialmente, o governo Lula buscou regulamentar o setor para cobrar impostos com regras rigorosas. A arrecadação decorrente da regulamentação chegou a cerca de R$ 19 bilhões. No entanto, uma pesquisa da USP revelou uma realidade devastadora: embora gerando R$ 19 bilhões em tributos, as apostas retiravam cerca de R$ 140 bilhões por ano da atividade econômica. Esse valor era vazado diretamente do orçamento familiar, reduzindo drasticamente o faturamento do comércio e gerando perda de arrecadação fiscal que anulava qualquer ganho com impostos sobre jogos.
Diante do rombo financeiro e da tragédia social, o presidente Lula decidiu proibir de vez a jogatina no Brasil. Aliás, em 2024, quando surgiram os primeiros sinais da ludopatia — o vício e transtorno mental e comportamental causado pelos jogos —, o presidente prometeu fechar as Bets caso o diagnóstico se confirmasse. A ludopatia é a perda do domínio próprio: afeta o cérebro da mesma forma que a dependência química e o álcool. O jogador é impulsionado a apostar até gastar o último centavo.
Por meio de Medida Provisória, o governo federal resolveu suspender imediatamente as Bets, com a determinação de retirada de todos os sites do ar e o encerramento das operações. Os apostadores agora têm prazo para resgatar seus saldos remanescentes, encerrando-se um ciclo de exploração.
O que assusta é o silêncio dos ditos defensores da família. As Bets funcionaram como drogas químicas — eram viciantes. Como disse, as famílias brasileiras se endividavam para jogar. Havia prêmios? Não. Havia ilusão de prêmio. As Bets são como a mulher prostituta de Provérbios 5:3: “Os lábios da mulher imoral são como favo de mel, e as suas palavras são mais suaves do que o azeite; mas o seu fim é amargoso como o fel”.
A direita brasileira, os conservadores, os bolsonaristas — ninguém dos que hasteiam a bandeira de defesa da família enxergou as Bets degolando nossa gente. Homens, mulheres, jovens doentes, endividados, num estado de depressão profunda, enquanto dezenas de bilhões eram evadidos do país para paraísos fiscais em contas de empresários do ramo. Uma vergonha.
Nem mesmo a Frente Parlamentar Evangélica, enquanto instituição que se elege diretamente com o compromisso de defender a estrutura familiar, se preocupou em agir como bloco para frear essa jogatina devastadora. Faltou uma posição oficial e firme da bancada contra o flagelo das apostas. Hoje, é possível ver reações isoladas de alguns líderes e parlamentares condenando as Bets, porém com ressalvas. Tem gente descaradamente falando que essa não era a hora de parar. É de rir! Outros dizem que esse não é o jeito de parar por questões de “segurança jurídica”. Aqui eu choro, tamanha a insensibilidade: querer garantir segurança jurídica para a mão ladra que rouba o pão da mesa dos filhos de pais empobrecidos, é demais.
Cadê os nossos paladinos da moral, da justiça e da honestidade? Ninguém viu, percebeu, se informou, ou… deixa pra lá.
Agora parou. Bets proibidas por determinação do governo federal. O que vai fazer a direita? Flávio Bolsonaro é defensor dos cassinos. Cabe à sociedade ficar atenta para que o mercado de jogos não volte a financiar pautas legislativas para reativar essa patologia que adoece e destrói o país.








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