Filiação de Rosenvaldo Júnior ao PDT reacende debate sobre a importância de uma candidatura local
Na noite desta quinta-feira, o Arena Cultural de Imbituba recebe um ato político que pode marcar um novo capítulo na representação da cidade e da região na política estadual. O médico cardiologista Rosenvaldo da Silva Júnior oficializa sua filiação ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) com o objetivo de disputar uma vaga de deputado estadual nas próximas eleições em Santa Catarina.
A filiação ocorre na presença do deputado estadual e presidente do PDT catarinense, Rodrigo Minotto, além de lideranças regionais, apoiadores e moradores da cidade.
Mais do que um ato partidário, o movimento reacende um debate antigo na cidade: a necessidade de Imbituba voltar a ter voz direta na Assembleia Legislativa.
Quem é Rosenvaldo Júnior
Médico cardiologista com forte reconhecimento regional, Rosenvaldo construiu sua trajetória pública conciliando a carreira na medicina com a vida política.
Ele governou Imbituba entre 2017 e 2024, após vencer duas eleições municipais. Durante esse período, ficou conhecido como o “prefeito-médico”, marca que consolidou sua atuação voltada principalmente à área da saúde.
Entre os destaques de sua trajetória está a presidência do Consórcio Intermunicipal de Saúde da AMUREL, função que exerceu por três anos consecutivos (2022–2024), coordenando ações regionais voltadas à melhoria do atendimento médico nos municípios da região.
Outro episódio que marcou sua atuação ocorreu durante o auge da pandemia de Covid-19, quando Rosenvaldo integrou a comitiva de prefeitos que buscou alternativas para aquisição de vacinas. Na ocasião, participou de reuniões diretas com o então governador de São Paulo, João Doria, em uma tentativa pioneira de ampliar o acesso aos imunizantes.
Agora, ao deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB) para ingressar no PDT, legenda historicamente ligada ao trabalhismo de Leonel Brizola, Rosenvaldo busca ampliar sua atuação política para o cenário estadual.
A importância de uma candidatura local
A eventual eleição de um deputado estadual com base em Imbituba é vista por muitos como uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento da cidade e da região.
Isso porque cada parlamentar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) tem acesso a cerca de R$ 30 milhões anuais em emendas parlamentares, recursos que podem ser destinados a obras, investimentos em saúde, infraestrutura, educação e projetos sociais.
Na avaliação de lideranças locais, independentemente de posicionamentos partidários, ter um representante direto na Assembleia pode significar mais recursos e prioridade para demandas regionais.
Nos bastidores da política municipal, inclusive, há quem diga que um dos maiores beneficiários de uma possível eleição de Júnior, seja o próprio prefeito de Imbituba, Michell Peninha, que poderá tirar do papel obras importantes para a cidade com recursos do mandato estadual.
Um jejum de mais de três décadas
Imbituba não tem um representante direto na Assembleia Legislativa há mais de 30 anos.
A última vez em que a cidade teve presença na ALESC ocorreu quando o então suplente Tico assumiu o cargo, representando a cidade e parte da região.
De lá para cá, o cenário político mudou, a população cresceu e as demandas regionais se tornaram mais complexas. Por isso, para muitos analistas políticos locais, retomar essa representação se tornou ainda mais estratégico.
A região também ganha
A candidatura de Rosenvaldo não se limita apenas a Imbituba.
Caso eleito, sua atuação na ALESC poderia beneficiar municípios da Associação dos Municípios da Região de Laguna (AMUREL), além de cidades vizinhas que integram o entorno da Florianópolis e da Grande Florianópolis.
A presença de um parlamentar com base regional pode fortalecer a articulação política em temas como:
- investimentos em saúde regionalizada
- melhorias na infraestrutura rodoviária
- desenvolvimento econômico e turístico
- fortalecimento do Porto de Imbituba e cadeias produtivas locais
Há viabilidade eleitoral?
Nos bastidores políticos, a avaliação é de que a candidatura é viável do ponto de vista eleitoral.
Rosenvaldo fez uma análise estratégica do cenário e entende que, dentro da chapa estadual do PDT, composta por ex-prefeitos, ex-vice-prefeitos, vereadores e lideranças políticas, é possível conquistar espaço entre os eleitos.
Para alcançar uma das 41 cadeiras da ALESC, a projeção é que o candidato precise obter entre 15 mil e 20 mil votos, número considerado factível por aliados.
Um indicativo do potencial eleitoral já apareceu em 2014, quando Rosenvaldo disputou o cargo de deputado estadual e conquistou quase 10 mil votos, sendo mais de 7 mil apenas em Imbituba e os demais distribuídos em 100 municípios dos 295 de Santa Catarina.
Uma nova oportunidade para a cidade
A filiação desta noite simboliza mais do que o início de uma pré-campanha.
Para muitos moradores e lideranças políticas, representa a possibilidade de Imbituba voltar a ter protagonismo na política estadual, algo que não ocorre há décadas.
Se a candidatura se consolidar nas urnas, a cidade pode novamente ocupar um espaço direto nas decisões que impactam o desenvolvimento de toda a região sul de Santa Catarina.













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