A decisão da Prefeitura de Imbituba de abrir um processo licitatório para contratação de uma empresa responsável pelo recolhimento de animais de rua considerados agressivos começa a gerar questionamentos entre moradores, protetores independentes e pessoas ligadas à causa animal no município.
Embora o discurso oficial fale em segurança da população e manejo técnico dos casos considerados de risco, cresce a preocupação sobre o destino desses animais, os critérios que serão utilizados para classificá-los como agressivos e, principalmente, a ausência de transparência sobre como esse serviço será executado.
Até o momento, não foram apresentados detalhes públicos sobre qual empresa poderá assumir o serviço, qual será o custo total do contrato, onde os animais serão acolhidos, quanto tempo permanecerão nesses locais e quais garantias efetivas de bem-estar serão oferecidas.
O debate também levanta uma questão ainda mais profunda: por que o município segue tratando o problema apenas na consequência e não na origem?
O abandono de animais continua acontecendo diariamente em Imbituba. Filhotes são deixados em ruas, terrenos e praias sem qualquer responsabilização efetiva. Enquanto isso, protetores independentes seguem assumindo praticamente sozinhos os custos de alimentação, castração, medicamentos e resgates.
Na prática, são cidadãos comuns que vêm sustentando uma política pública que deveria ser estruturada pelo poder público.
Imbituba possui o Centro de Bem-Estar Animal, estrutura importante dentro da política pública do município. Porém, moradores e protetores apontam que ainda falta logística, ampliação operacional e estrutura suficiente para acolher uma demanda crescente de animais abandonados. A cobrança também envolve maior investimento em planejamento, ações permanentes e fortalecimento das equipes que atuam diretamente na causa.
Outro ponto que gera críticas é a ausência de um espaço municipal mais amplo e estruturado para acolhimento permanente, recuperação e manejo humanizado dos animais em situação de rua. Em uma cidade com grande extensão territorial, muitos questionam por que ainda não foi construída uma política mais robusta de acolhimento, castração e acompanhamento contínuo.
Especialistas e defensores da causa animal lembram que cães em situação de rua muitas vezes apresentam comportamento defensivo por fome, sede, medo, maus-tratos anteriores ou disputa por território. Isso não significa necessariamente agressividade irreversível.
Grande parte desses animais convive diariamente com a comunidade sem registros graves de ataques. Muitos são alimentados por moradores e acabam se tornando cães comunitários, realidade já existente em diversas cidades brasileiras.
Além disso, cresce a cobrança para que o município fortaleça campanhas permanentes de conscientização sobre guarda responsável, abandono, castração e educação comunitária.
Sem ações educativas contínuas, fiscalização efetiva e apoio às redes de proteção animal, o problema tende a continuar se repetindo, independentemente do recolhimento de cães das ruas.
A população também cobra transparência sobre os critérios técnicos que serão utilizados para definir quais animais representam risco real. Há preocupação de que medidas mal conduzidas acabem promovendo simplesmente a retirada dos cães da paisagem urbana sem resolver o problema estrutural.
Outra preocupação envolve o impacto do deslocamento desses animais de seus territórios habituais. Muitos cães de rua vivem em grupos, possuem rotas definidas e vínculos criados com moradores. Retirá-los sem planejamento pode gerar sofrimento, desorientação e até aumento de conflitos em outras regiões.
Enquanto isso, protetores independentes seguem perguntando aquilo que ainda não foi respondido de forma clara:
Para onde irão esses animais?
Quem fiscalizará esse serviço?
Qual será o custo para os cofres públicos?
E por que a prefeitura ainda não consolidou uma política pública mais ampla, permanente e verdadeiramente humanizada para enfrentar o abandono animal em Imbituba?
O Jornal Popular Catarinense acompanha com atenção as pautas ligadas à proteção animal, ao bem-estar coletivo e às políticas públicas do município, permanecendo aberto para ouvir os esclarecimentos e posicionamentos oficiais da Prefeitura de Imbituba sobre o tema.










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