GIRO POLÍTICO

EDUCAÇÃO EM CRISE

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A Secretaria de Educação de Imbituba volta ao centro das críticas após o envio de projeto de lei que cria o cargo de auxiliar escolar. A proposta, já debatida na Câmara com a forte presença dos professores, enfrenta forte rejeição pela falta de clareza e prioridade.

O Prefeito Michell bem como o secretário Josué Espezim, também professor, tem sido alvo direto das críticas, diante do distanciamento entre a gestão e as demandas reais da rede.

O contraste se agrava com a fala do prefeito Michel Nunes a dois meses atras, que prometeu investimento de R$ 30 milhões para a educação, mas até agora o destaque foi um investimento de cerca de R$ 1,5 milhão em um campeonato de surfe.

Na Câmara, os vereadores Henrique Melo, Bruno Pacheco, Eduardo Faustina e Humberto da Celesc têm questionado o projeto e cobrado mais responsabilidade na condução da pasta.

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E os problemas não param por ai, na Escola Municipal Deputado Joaquim Ramos, no bairro Paes Leme, o programa EDUTI voltou a falhar: neste feriado, que deveria funcionar até quinta-feira às 17h, já foi interrompido na quarta, prejudicando pais que trabalham e precisam se reorganizar às pressas.

Na mesma unidade, a situação se repete com o material didático, entregue apenas no final de abril, evidenciando atraso significativo e falta de planejamento.

O cenário expõe uma gestão que ainda não se encontrou. Com a população crescendo e estruturas paradas há décadas, Imbituba precisa mais do que novos cargos: precisa de  valorização dos professores, organização, investimento de verdade e respeito com quem depende da escola pública.

EM BAIXA

Conforme mencionado na coluna anterior, saiu o resultado da pesquisa encomendada por um grupo de empresários de Imbituba e acendeu um sinal de alerta para a gestão do prefeito Michell Nunes e aliados (G4). Os dados apontam uma queda na aceitação popular, com avaliação que se aproxima do cenário enfrentado pelo ex-prefeito Rosenvaldo Júnior ao fim de seu mandato. A comparação, no entanto, não indica que a atual administração esteja no mesmo nível crítico, mas revela um ponto central: a frustração diante das expectativas criadas durante a campanha.

Cerca de 72% dos entrevistados afirmam que esperavam mais do atual prefeito neste momento do governo. O discurso do “básico bem feito”, amplamente defendido durante o período eleitoral, ainda não se traduziu em resultados concretos percebidos pela população. Após um ano e meio de gestão, obras estruturantes seguem sem sair do papel, o que amplia a sensação de estagnação em diferentes áreas da cidade.

Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que um pacote de obras está prestes a ser anunciado, com promessas que incluem pavimentação, ampliação do saneamento e retomada de projetos importantes, como a Avenida Santa Catarina e os acessos Norte e Sul e a passarela da praia do porto. A previsão é de cerca de 20 quilômetros de asfalto ainda neste ano, além da cobertura de 25% do tratamento de esgoto.

Apesar do discurso otimista, a população demonstra cautela. Promessas semelhantes já foram feitas anteriormente, e o que se espera agora é mais execução do que anúncio. A cobrança que cresce nas ruas é direta: transformar expectativa em resultado e fazer com que Imbituba avance de forma concreta, beneficiando toda a população.

REALIDADE

Os dados da pesquisa revela mais do que números: aponta um sentimento crescente de desgaste com os grupos que dominam a política local há décadas. Em Imbituba, a percepção é de que o mesmo núcleo político e econômico segue ocupando espaços e se beneficiando da máquina pública. Quem tentou romper esse ciclo conhece bem as dificuldades enfrentadas, como é o caso da empresária Adriana Lumma, candidata por duas vezes e que lidou com resistência, isolamento político e ataques durante suas campanhas.

Mesmo sem ampla experiência na gestão pública, Adriana representava algo diferente: independência do grupo dominante. E é justamente esse fator que, historicamente, pesa contra candidaturas fora do sistema, já que a falta de articulação política se torna um obstáculo quase inevitável. Ainda assim, o dado mais relevante da pesquisa chama atenção para uma mudança de comportamento do eleitorado.

A população demonstra estar mais atenta, crítica e menos tolerante com a repetição de práticas e nomes. Há um sentimento claro de cansaço e um desejo por renovação na forma de governar. Cresce a expectativa por uma liderança que não esteja vinculada aos interesses econômicos locais e que possa administrar com maior independência.

Resta saber de onde virá esse novo nome — se surgirá dentro da própria cidade ou se será alguém de fora. O fato é que a sociedade já iniciou esse processo de reflexão, e quando esse movimento ganha força, a política dificilmente consegue ignorar por muito tempo.

TABULEIRO NACIONAL

O cenário da corrida presidencial de 2026 começa a ganhar forma, com 12 nomes já colocados como pré-candidatos. Entre eles estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), além de nomes como Aldo Rebelo, Cabo Daciolo e Augusto Cury, que estreia na política.

Apesar da ampla lista, quatro nomes concentram o protagonismo: Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema. As pesquisas mais recentes indicam Lula à frente no primeiro turno, enquanto um eventual segundo turno com Flávio Bolsonaro aponta empate técnico.

Nos bastidores, Lula sai na frente na organização, já tendo definido Geraldo Alckmin como vice. Do outro lado, Flávio Bolsonaro ainda busca composição, com negociações envolvendo Zema e até a possibilidade de uma mulher na chapa.

Caiado também se movimenta e chegou a sondar Ciro Gomes para vice, sem definição até agora. O quadro atual revela uma direita fragmentada, enquanto a esquerda mantém maior concentração eleitoral.

Esse desenho, no limite, pode favorecer Lula já no primeiro turno, especialmente se fatores como economia e possíveis desgastes políticos — como a delação envolvendo Daniel Vorcaro — impactarem adversários.

Por ora, o cenário segue estável, sem desistências ou mudanças relevantes. Maio deve girar em torno da definição de vices — e de eventuais fatos novos capazes de mexer no tabuleiro.

GOVERNO DO ESTADO: QUEM VAI?

A disputa pelo governo de Santa Catarina em 2026 já tem cinco nomes colocados como pré-candidatos: Gelson Merísio, João Rodrigues, Jorginho Mello, Marcelo Brigadeiro e Ralf Zimmer.

Embora o número seja cinco, o cenário já começa a se afunilar em torno de três protagonistas: Jorginho Mello, João Rodrigues e Gelson Merísio. O atual governador larga na frente, mas já dá sinais claros de preocupação com a possibilidade de segundo turno.

Nos bastidores, a eleição passa diretamente pelas alianças. João Rodrigues articula um bloco robusto com PSD, MDB e União Progressista, mirando crescer e consolidar uma candidatura competitiva, este mês inicia o roteiro de visitas na companhia de Amin, Chiodini e Schiochet. Já Gelson Merísio busca espaço como alternativa, apostando em composição com setores da esquerda.

Jorginho, por sua vez, mudou o tom. Se antes dizia estar focado apenas na gestão, agora intensifica reuniões com prefeitos, deputados e lideranças partidárias para segurar sua base e evitar surpresas.

O histórico catarinense acende o alerta: eleição aqui não se decide antes da hora. Segundo turno, quando ocorre, costuma embaralhar o jogo — e já virou tradição virar voto.

Com convenções ainda pela frente, a única certeza é uma: a campanha mal começou, mas a disputa promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos.

#RAPIDAS#

  • IMBITUBA – O cenário político local começa a ganhar novos contornos. Além dos pré-candidatos a deputado estadual Rosenvaldo e Zaga da Inkor, o município pode apresentar um nome também na disputa federal. Trata-se de Raquel Cristina Bachtold, de 40 anos, moradora do bairro Sambaqui. Conhecida pela atuação em pautas sociais, especialmente nas lutas por fornecimento de energia elétrica e regularização de imóveis, Raquel surge como possível representante de base popular na corrida eleitoral.
  • LAGUNA – Na Laguna, o debate sobre gastos públicos ganhou destaque. O vereador Edi Goulart (MDB) utilizou a tribuna para anunciar a apresentação de um projeto de lei que pretende reduzir os chamados “supersalários” no Executivo municipal. Segundo o parlamentar, o atual salário do prefeito ultrapassa o do governador do Estado, o que reacende a discussão sobre limites e moralidade nos vencimentos públicos.
  • IMARUÍ – Em Imaruí, pescadores realizaram protesto em frente à prefeitura. A manifestação ocorre diante de questionamentos sobre o suposto desaparecimento de recursos destinados a um projeto de apoio à pesca artesanal. A situação aumenta a pressão sobre a administração municipal e evidencia a insatisfação de uma das principais categorias econômicas da região.
  • GAROPABA – Já em Garopaba, o município entrou no radar de uma investigação estadual. A cidade foi alvo da operação “Ajuste Fino”, conduzida pelo GAECO/SC, que apura um suposto esquema envolvendo empresários suspeitos de fraudar licitações públicas em diferentes municípios catarinenses. O caso amplia o clima de tensão política e administrativa na região.
  • CAMBORIÚ – A Camboriú deu início a uma investigação relevante. A Câmara de Vereadores oficializou a criação de uma CPI para apurar possíveis irregularidades no contrato de concessão dos serviços de água e esgotamento sanitário com a Aegea Saneamento. A comissão terá prazo de 120 dias para conduzir os trabalhos, o que deve movimentar o cenário político local nas próximas semanas.

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