O ex-prefeito de Agrolândia, no Alto Vale do Itajaí, Urbano José Dalcanale (MDB), foi denunciado nesta quinta-feira (29) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A denúncia integra mais um desdobramento da Operação Mensageiro, que apura um amplo esquema de irregularidades envolvendo contratos públicos em diversos municípios catarinenses.
Segundo as investigações, Dalcanale é acusado de integrar uma organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, incluindo corrupção ativa e passiva, além de fraude ao caráter competitivo de licitações, durante o período em que comandou o Executivo municipal.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os fatos teriam ocorrido entre 2018 e 2020 e estariam relacionados à manutenção de contratos entre a Prefeitura de Agrolândia e uma empresa prestadora de serviços. A acusação sustenta que o então prefeito teria solicitado e recebido pagamentos irregulares de forma recorrente, como contrapartida para favorecer interesses da empresa junto ao município.
Conforme detalhado pelo MPSC, os valores das supostas propinas variavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil e teriam sido entregues em dinheiro, de maneira periódica, em diferentes locais e ocasiões. Ainda segundo a investigação, os repasses teriam ocorrido ao menos 22 vezes ao longo do período apurado.
Na mesma sessão, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina também recebeu denúncia relacionada a fatos envolvendo o município de Balneário Barra do Sul, reforçando o alcance da operação.
Desde o segundo semestre de 2025, o TJSC já acolheu ações penais ligadas à Operação Mensageiro envolvendo municípios como Rio Negrinho, Lages, Imaruí, Garopaba, Jaguaruna, Correia Pinto, Rio do Sul e Ibirama.
Deflagrada há três anos, a Operação Mensageiro completou seu terceiro aniversário em dezembro de 2025. Até o momento, a investigação já resultou na prisão de empresários, no cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão e na denúncia de 32 pessoas, entre prefeitos, ex-prefeitos, servidores públicos e empresários.
Segundo o Ministério Público, os crimes investigados teriam provocado um prejuízo estimado em R$ 4,5 milhões aos cofres públicos. Além disso, houve bloqueio de bens dos denunciados por determinação judicial. As apurações seguem sob sigilo, e novas denúncias não estão descartadas.
A Prefeitura de Agrolândia foi procurada, mas não se manifestou até a publicação desta matéria. O ex-prefeito Urbano José Dalcanale também foi contatado, sem retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.









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