Imbituba (SC) – O que era para ser símbolo de avanço e modernização da frota municipal virou um escândalo anunciado. A escavadeira hidráulica Caterpillar, recebida com pompa pelo prefeito Michell Nunes, o “Peninha”, no início do ano, pode ser recolhida pela empresa fornecedora por falta de pagamento. O equipamento milionário foi entregue, empenhado, faturado — mas não pago.
A empresa fornecedora já notificou a Prefeitura de Imbituba sobre a possibilidade de retomada do bem. Fontes revelam que a situação está por um fio e que, apesar da emissão do empenho e da nota fiscal, o não pagamento configura quebra contratual. A devolução, no entanto, não é simples e pode evoluir para uma disputa judicial.
“É inadmissível que um bem público adquirido com recursos vinculados corra risco de ser recolhido. Isso é gestão temerária com o dinheiro da população”, afirmou um servidor público municipal que não quis se identificar.
Prefeitura no “CAUC”: dinheiro travado, máquina parada
O caso expõe um problema ainda maior: o nome da Prefeitura de Imbituba está incluído no CAUC — o “SPC das prefeituras” —, o que a impede de receber recursos de transferências voluntárias da União, inclusive emendas parlamentares. No caso da escavadeira, os recursos da emenda do deputado federal Carlos Chiodini (MDB) estão bloqueados justamente por conta dessa pendência.
Enquanto isso, a máquina permanece sem uso efetivo, servindo como exemplo concreto da má gestão fiscal do município. A escavadeira se tornou a imagem pública de um problema administrativo que o jornal O Popular Catarinense vem alertando há semanas: a crescente inadimplência e os prejuízos causados pela desorganização financeira da atual gestão.
Silêncio da Prefeitura e temor de mais perdas
Até o momento, a Prefeitura de Imbituba não se pronunciou oficialmente sobre o risco de recolhimento da escavadeira, nem apresentou cronograma para quitar o débito com a empresa fornecedora. Internamente, comenta-se que a administração busca alternativas, mas enfrenta dificuldades operacionais e legais.
“O município está atolado em pendências fiscais, e isso vem travando investimentos, obras e prejudicando parcerias com o governo estadual e federal. Essa escavadeira é só a ponta do iceberg”, comentou um vereador da oposição.
Crise à vista
O possível recolhimento da escavadeira poderá gerar um efeito cascata — afastando empresas fornecedoras, gerando judicializações e atrasando ainda mais serviços essenciais. A situação exige resposta rápida, transparente e eficaz da Prefeitura para evitar que a crise financeira vire colapso administrativo.









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