Era uma vez, o tradicional Carnaval de Tubarão….

Esse fim de semana, Laguna fez história: depois de 13 anos sem competição, o desfile das escolas de samba voltou à avenida, reafirmando a força do pioneiro carnaval lagunense. Foi ali que nasceu a primeira escola de samba de Santa Catarina, abrindo caminho para o carnaval catarinense como conhecemos hoje. Cinco escolas brilharam na avenida: Os Democratas, Clube Carnavalesco Xavante, Brinca Quem Pode, Vila Isabel e Mocidade Independente. O retorno só aconteceu pela resistência de quem nunca deixou o samba morrer, continuando a ensaiar e desfilar, mesmo sem apoio financeiro expressivo ou competição oficial.

ANUNCIO

Ninguém me contou, eu estava lá. Desfilei na ala de passistas da minha amada Xavante, representando a força da mulher brasileira e a tradição dos antigos bailes da cidade. No entanto, minha história com o carnaval começou antes, na cidade de Tubarão quando em 2012, com apenas 12 anos, desfilei na ala de passistas mirins da G.R.C.C. Dakota, maior campeã do carnaval de Tubarão. Naquele ano, também assisti ao desfile no antigo sambódromo de Laguna pela primeira vez, sem imaginar que seria a última vez em ambas as cidades.

Muita gente em Tubarão sequer sabe que já tivemos desfiles de Carnaval grandiosos. Escolas como G.R.C.C. Dakota, Protegidos do Samba, Acadêmicos do Fábio Silva, Alegria do Morro, Unidos da Ponte e Unidos da Toca marcaram época na Cidade Azul. Com arquibancadas lotadas na Marcolino Martins Cabral, o carnaval chegou a reunir 30 mil pessoas e se tornou o principal evento do calendário municipal. A partir de 2013, porém, perdeu força e deixou de contar com organização oficial. Assim, as escolas de samba fecharam para sempre as portas.

O problema disso? Escola de samba não é só espetáculo. É espaço de convivência, formação cultural, geração de emprego e renda, pertencimento e identidade. É onde a comunidade se encontra, cria laços, celebra sua cultura e conta histórias que muitas vezes não aparecem nos livros.

Se nós tivéssemos um olhar estratégico na condução da cidade, nós iríamos olhar como uma grande oportunidade de apresentar aquilo a riqueza da história e cultura tubaronense. Ainda, é uma oportunidade de fomentar a economia local. Para se ter uma ideia, o Carnaval de Laguna deste ano em toda a sua programação reuniu 250 mil pessoas no Sul do estado e movimentou a economia local em R$50 milhões de reais, impactando setores de hotelaria, comércio formal e ambulante, alimentação, prestação de serviços e transporte.

ANUNCIO

Me parece que o Município de Tubarão anda na contramão do desenvolvimento. Enquanto em alguns municípios a cultura popular é valorizada para estimular o sentimento de pertencimento entre as comunidades e a cidade, nossas tradições populares são esquecidas no passado. Enquanto alguns municípios investem em educação, abandonamos nossa Unisul e estamos reféns das universidades dos municípios vizinhos. Enquanto outros investem em restaurar e recuperar prédios históricos, derrubamos e abandonamos os nossos.

O Carnaval não é uma festa qualquer. É a alegria resistindo à tristeza da vida dura no dia a dia. É a vida dançando mesmo diante da morte inevitável de todos nós. É arrepiar com o som do tambor e lembrar, por alguns instantes, o que nos faz sentir vivos e nos une enquanto povo: a cultura brasileira.

Laguna recuperou seu Carnaval, lutaremos para recuperar o nosso.

Por Victoria Salgado Figueiredo Gomes Tubaronense formada Advogada pela UFSC, Passista do Clube Carnavalesco Xavante de Laguna e assessora parlamentar na ALESC.

Publicar comentário