O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que 2026 será um ano decisivo para as lutas da classe trabalhadora no Brasil. À frente da entidade no mandato 2023–2027, o dirigente tem concentrado suas recentes entrevistas em temas como o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, a regulação do trabalho por aplicativos, a valorização do salário mínimo, o fortalecimento da democracia e a necessidade de atualizar o modelo sindical para alcançar trabalhadores informais.
Metalúrgico de origem, Sérgio Nobre nasceu em 10 de março de 1965, em São Paulo, e vive há quase quatro décadas em São Bernardo do Campo. Sua trajetória no movimento sindical começou ainda jovem, como aprendiz do Senai, quando ingressou na Scania, em 1980. Posteriormente, passou a atuar na Mercedes-Benz, onde trabalha até hoje e exerceu funções de representação, como integrante da CIPA e da Comissão de Fábrica, que coordenou por dois mandatos. Também teve papel de destaque no Setor Automotivo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT.
Eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em 2008 e reeleito em 2011, Sérgio Nobre acumulou experiência em diferentes instâncias do movimento sindical antes de assumir a presidência nacional da CUT. Para ele, o atual cenário político e econômico exige mobilização permanente. “Em 2026, a grande batalha é reeleger o presidente Lula por tudo que isso significa para a democracia do Brasil, não só aqui, mas no mundo”, afirmou.
Entre as principais bandeiras defendidas pela CUT está o fim da escala de trabalho 6×1, comum nos setores de comércio e serviços. Segundo Nobre, a jornada atual é abusiva e afeta diretamente a saúde do trabalhador e a convivência familiar. “Nosso objetivo é acabar com a escala 6×1 sem redução de salários. Está provado que a produção aumenta quando o trabalhador tem mais tempo para a família e para o lazer”, destacou. A central sindical defende a redução da jornada semanal como forma de garantir descanso digno e melhorar a qualidade de vida, especialmente das mulheres.
De acordo com a CUT, o fim da escala 6×1 pode gerar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho e estimular a economia. A entidade tem apoiado iniciativas como o Plebiscito Popular e pressionado o Congresso Nacional, inclusive em debates relacionados à PEC 148/2025, que trata da mudança na jornada de trabalho. A defesa da saúde do trabalhador, o combate à precarização e a garantia de dois dias de descanso semanal estão entre os principais argumentos apresentados.
Outro ponto ressaltado por Sérgio Nobre é a necessidade de atualizar o modelo sindical brasileiro. Para ele, a representação precisa ser ampliada para proteger trabalhadores informais e aqueles inseridos em novas formas de contratação, como os que atuam por meio de aplicativos. “É fundamental que o sindicalismo se adapte à nova realidade do mundo do trabalho, para continuar defendendo direitos e combatendo desigualdades”, concluiu.









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