Por Benedito Dias
Quando o filho 03 trocou o papel de deputado pelo de delator internacional, tentando punir o próprio país com um tarifaço imposto por Trump, esqueceu que o intercessor bíblico age pelo perdão — não pelo rancor.
Eduardo Bolsonaro, o filho 03 do ex-presidente, resolveu brincar de diplomata. Mas, em vez de defender o Brasil, preferiu agir como um verdadeiro “intercessor da maldade”. Usou o próprio veneno político para pedir ao ex-presidente Donald Trump a imposição de um tarifaço sobre as exportações brasileiras. Isso mesmo: um deputado brasileiro pedindo a um estrangeiro que castigue a economia do seu próprio país.
Como se o ato em si já não fosse vergonhoso, Eduardo ainda apelou para o radicalismo, pedindo sanções contra autoridades brasileiras por meio da Lei Magnitsky – um dispositivo americano criado para punir violadores de direitos humanos. A intenção, evidente, era pressionar o governo Lula a interferir no julgamento de Jair Bolsonaro no STF ou empurrar goela abaixo a PEC da anistia aos golpistas.
Mas o governo brasileiro não cedeu. Até porque, por mais que haja conversas de bastidores, nenhum presidente em sã consciência colocaria a soberania nacional à venda em praça pública. Aqui, cada poder ainda tem seu pedaço de chão – e, por mais que escorreguem, não são burros nem doidos a ponto de se curvarem a pressões internacionais tão explícitas.
Edu está perdido — no mato sem cachorro. Sua ida para os EUA não sei se foi impensada ou se foi mesmo burrice. Ele já se mostrou desnorteado a ponto de mandar o próprio pai “ir pra aquele lugar”. Dá até vontade de rir dessa doideira, mas é difícil diante de tamanha estupidez e desrespeito com o próprio pai. O sujeito é descontrolado de espírito — talvez um exorcismo o acalmasse. Mas o guru da família anda na mesma toada: cuspindo fogo, babando ódio e ouvindo vozes de algum anti-céu. Malafaia, que antes dizia ajudar nas agonias espirituais, agora é quem precisa de ajuda — orações, talvez. Quem sabe Macedo, que chegou a cobrar dele um comportamento menos político e mais pastoral, se disponha a exorcizá-lo.
O camarada fez muita besteira — inclusive a própria prisão domiciliar de Bolsonaro, provocada em parte por suas trapalhadas. Além disso — e por causa disso — minou a saúde do mito, se desentendeu com os governadores da direita, causou tumulto no PL, criou problema com Valdemar Costa Neto e ainda se frustrou com o resultado da balança comercial de agosto: apesar da queda nas exportações para os EUA, o Brasil registrou superávit de cerca de 6 bilhões de dólares. Nesse período de tentativa de tortura econômica bolsonarista, as exportações para a China cresceram significativamente. O Trump pode ser meio malucão, mas não é bobo: não vai trocar um parceiro comercial do quilate do Brasil pelo clã Bolsonaro em extinção.
E agora, Edu? Onde estás? Por onde andas? Onde enfiaste a tua cara? Antes, cheiravas as botas do Trump; hoje, perdeste até o posto de inalar o “perfume” da bota do xerife global.
Na Bíblia, o intercessor é aquele que clama pelo perdão, não pela destruição. No Antigo Testamento, o sacerdote intercedia oferecendo sacrifícios para aplacar a ira divina e trazer reconciliação entre Deus e o povo. No Novo Testamento, Cristo é o intercessor perfeito — aquele que “vive sempre para interceder por nós” (Hebreus 7:25) e se apresenta diante do Pai não para acusar, mas para advogar em favor do pecador (1 João 2:1).
Eduardo Bolsonaro, ao contrário, intercedeu não por amor, mas por rancor. Sua oração política foi uma petição por castigo. Seu sacrifício, o da economia brasileira.
O tiro, porém, saiu pela culatra. Na segunda-feira, dia 6, o próprio Donald Trump ligou para Lula, dizendo que o presidente brasileiro é “um homem bom” e que Estados Unidos e Brasil devem fazer negócios — afinal, o Brasil é a maior economia da América do Sul. Ironia das ironias: o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, aliado do clã Bolsonaro e que embarcou na boataria de Eduardo, agora foi encarregado por Trump de resolver o imbróglio do tarifaço e, quem sabe, reverter as sanções às autoridades brasileiras.
Fica a pergunta: onde enfiou a cara o intercessor da maldade?
Vai voltar ao Brasil desmoralizado?
Perderá o mandato?
Será julgado, condenado e preso?
Eduardo Bolsonaro pediu sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras. Quis o fracasso da economia na gestão Lula. O plano fracassou – Trump elogiou Lula, e o “intercessor da maldade” ficou sem altar, sem sacrifício e sem glória.
A história ainda não deu seu veredito, mas uma coisa é certa: quem intercede contra o próprio povo já se julgou por si mesmo.









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