Iniciativa aposta na conscientização precoce para romper ciclos e construir uma cultura de respeito
Em um tempo em que o debate sobre violência contra mulheres se torna cada vez mais urgente, ações educativas ganham papel central na construção de uma sociedade mais consciente. Foi com esse propósito que estudantes do ensino médio da EEB Engenheiro Álvaro Catão, em Imbituba, participaram de uma roda de conversa voltada à reflexão e ao enfrentamento desse tipo de violência.
Realizada nos dias 16 e 17 de março, a atividade integrou a programação do Mês da Mulher e reuniu adolescentes em um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva de conhecimento. Mais do que transmitir informações, o encontro buscou provocar reflexão — um passo essencial para a transformação social.
Com o lema “informar para proteger”, a roda de conversa foi conduzida pela terapeuta, educadora e palestrante Gisele Bosco, que trouxe uma abordagem direta, acessível e sensível ao universo dos jovens. O formato escolhido rompeu com a lógica tradicional de palestra, abrindo espaço para a participação ativa dos estudantes.
Durante o encontro, foram discutidas as diferentes formas de violência que atingem meninas e mulheres — física, psicológica, moral, patrimonial e sexual — muitas vezes presentes de maneira silenciosa no cotidiano. A proposta foi ampliar a percepção dos adolescentes sobre situações que, por vezes, passam despercebidas ou são naturalizadas.
Um dos pontos centrais da conversa foi a construção histórica da desigualdade de gênero. A reflexão mostrou que a violência não surge de forma isolada, mas está enraizada em padrões culturais que, ao longo do tempo, colocaram mulheres em posições de vulnerabilidade e desigualdade.
Mesmo diante dos avanços conquistados, a realidade ainda impõe desafios. Situações de violência continuam ocorrendo, muitas vezes motivadas por controle, ciúmes ou pela simples recusa feminina — evidenciando a necessidade de mudança de comportamento e mentalidade.
Nesse contexto, o diálogo com os jovens se torna estratégico. Aos meninos, foi proposto um exercício de responsabilidade: refletir sobre atitudes, rever comportamentos e compreender o impacto de suas ações. Às meninas, o foco esteve no fortalecimento da autonomia, no reconhecimento de sinais de abuso e na importância de buscar ajuda.
A roda de conversa também evidenciou um cenário preocupante: embora muitos adolescentes reconheçam, em teoria, que a violência é inaceitável, práticas agressivas ainda são reproduzidas no cotidiano, inclusive no ambiente escolar. Esse contraste reforça a importância de ações contínuas de conscientização.
Durante a atividade, foi destacado o papel do Disque 180 como ferramenta essencial de apoio e denúncia, garantindo que vítimas tenham acesso a orientação e proteção.
Além do debate, os estudantes tiveram acesso a conteúdos educativos sobre machismo e misoginia, ampliando a compreensão sobre como esses comportamentos se manifestam e impactam a sociedade. Materiais informativos também foram disponibilizados para alunos, professores e familiares, fortalecendo o alcance da iniciativa.
Mais do que um evento pontual, a ação reafirma o papel da educação como ferramenta fundamental na prevenção da violência. Ao abrir espaço para o diálogo, a escola se posiciona como agente ativo na formação de cidadãos mais conscientes, empáticos e responsáveis.
Em Imbituba, a mensagem é clara: combater a violência contra mulheres começa cedo — com informação, escuta e coragem para transformar realidades.









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