A presença cada vez maior de pessoas em situação de rua no centro de Imbituba tem gerado preocupação entre moradores, comerciantes e trabalhadores que circulam diariamente pela região central da cidade. Nos últimos dias, vídeos registrados por populares mostram episódios de brigas, agressões e situações de violência envolvendo grupos que permanecem nas ruas, especialmente em áreas de maior circulação.
Relatos apontam consumo excessivo de álcool, conflitos entre os próprios moradores de rua e até ocorrências de furtos e assaltos, aumentando a sensação de insegurança da população.
Mas, diante dessa realidade, existe uma questão que precisa ser encarada com responsabilidade e humanidade: essas pessoas não podem ser tratadas apenas como um problema urbano a ser removido das ruas.
São seres humanos em condição extrema de vulnerabilidade social.
Muitos enfrentam dependência química, transtornos mentais, abandono familiar, desemprego, fome e ausência completa de estrutura básica de sobrevivência. Há inclusive registros de pessoas em situação de rua com dificuldades de locomoção, usuários de cadeira de rodas e indivíduos visivelmente debilitados física e emocionalmente.
Ao mesmo tempo, também é impossível ignorar que parte dessas pessoas possui histórico criminal, passagens policiais e até casos envolvendo indivíduos vindos de outras cidades. A realidade é complexa e exige enfrentamento sério, técnico e permanente.
A pergunta que começa a ecoar entre moradores é: qual tem sido, de fato, a atuação do poder público diante desse cenário?
Existe uma força-tarefa contínua de assistência social? Existem equipes realizando abordagem humanizada? Há acompanhamento psicológico, médico e encaminhamento para tratamento de dependência química? Existem políticas públicas efetivas de acolhimento?
Porque simplesmente deslocar pessoas de um ponto para outro da cidade não resolve o problema.
A ausência de estrutura pública adequada faz com que a situação se agrave silenciosamente até explodir em episódios de violência, medo coletivo e colapso social.
Imbituba precisa discutir com seriedade a criação e ampliação de políticas públicas permanentes voltadas ao acolhimento, assistência e reinserção social dessas pessoas. Isso envolve investimento em assistência social, saúde mental, programas de recuperação, abrigos dignos, atuação integrada com forças de segurança e fortalecimento das equipes técnicas do município.
O debate também precisa incluir a proteção da população.
Moradores, trabalhadores e comerciantes não podem conviver diariamente com situações de violência, ameaças e insegurança sem respostas concretas do poder público.
Direitos humanos não significam abandono da cidade.
E segurança pública não pode ser usada como desculpa para desumanizar pessoas vulneráveis.
O equilíbrio entre acolhimento social e proteção da comunidade talvez seja um dos maiores desafios urbanos da atualidade — e ignorar esse problema só fará com que ele cresça ainda mais.
O Jornal Popular Catarinense seguirá acompanhando a situação e permanece aberto para ouvir o posicionamento oficial da Prefeitura de Imbituba, da assistência social, das forças de segurança e também da comunidade sobre os caminhos possíveis para enfrentar essa realidade com responsabilidade, humanidade e transparência.










Publicar comentário