Colunista trata das Eleições Presidenciais de 2026


A CANETA DO INDULTO

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Quanto vale a eleição do candidato da direita à Presidência da República em 2026?

O Brasil ainda sangra pelos estilhaços de 8 de janeiro de 2023. A democracia – nosso Merthiolate – segue sendo aplicada pela Justiça nas feridas da República abertas pelos ferros do projeto golpista.

A um ano do próximo pleito, o que deveria estar sendo oferecido em troca do voto, como:
– Educação de qualidade;
– Segurança pública que ressocialize e combata o tráfico de drogas e armas;
– Saúde para todos, com médico de família, telemedicina e uso da rede privada para reduzir as filas do SUS na realização de cirurgias eletivas;
– Moradia digna, saneamento e obras de infraestrutura que gerem emprego e reduzam desigualdades.  Nada disso sequer é pensado.  O que se vê é a disputa pela caneta que vai assinar o indulto do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Pode ser absurdo, mas essa é a promessa mais importante do plano de governo da direita – se é que existem outros minimamente relevantes.

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O que vimos de 2019 a 2022?
Um governo promotor de futricas, dedicado à inalternância de poder, manifestações antidemocráticas, brigas com a imprensa, cercadinho de fofocas e, sobretudo, um projeto de mudar o sistema legal para permitir um mandato prolongado – como na Era Vargas, no regime militar, em Fidel, Maduro e companhia. A impossibilidade desse desatino resultou no 8 de janeiro, na condenação de um monte de sem‑noção, na inelegibilidade de Jair Bolsonaro e em sua prisão iminente.

Mesmo assim, a direita conservadora ainda o exibe como troféu – ou melhor, como moeda de troca. Indulto ou anistia para o “mito” é garantia de voto para o candidato.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, não esconde o plano: vai “anistiar” Bolsonaro. Política pura – ele sabe que anistia é prerrogativa do Congresso, mas a palavra rende manchete bem mais sonora do que indulto, que o STF pode derrubar.

Em Minas, Romeu Zema promete indulto com uma justificativa tão tortuosa quanto as ladeiras de Ouro Preto. Em entrevista à Carta Capital, disse: “Não foram concedidos indultos a assassinos e sequestradores aqui, durante o que eles chamam de ditadura”?  Questionado sobre sua posição em relação à ditadura, respondeu: “Não sei se houve ditadura; não sou historiador.”  A ignorância aqui é quase patológica, exacerbada, é de sangrar a alma, é tão espinhosa quanto a travessia do vale de Baca citada no livro dos Salmos 84. 

Mas a facada mais funda veio de Flávio Bolsonaro: não basta indulto – vulnerável ao STF –, tem de haver “garantia pela força”. É a tese de Eduardo Bolsonaro repaginada: fechar o Supremo “com um cabo e um soldado” ou ressuscitar o AI‑5. Se o pai for condenado e esgotar alternativas, armas na mesa e ponto final. É assim que reagem os “promotores” da democracia e “patriotas” da Pátria Livre. Imagine o caos que seria se todos os filhos decidissem invadir presídios para libertar seus pais? …

Atrás do balcão de votos, o 01 estabelece condição para carimbar o ‘selo’ do clã: indulto, anistia e – se preciso – pólvora. A proposta é “topar ou topar, pegar ou largar”. Um movimento incultural. Um renascimento às avessas revolucionário: “a troca do pincel pelo bico do cano para pintar quadros negros na paisagem do Brasil.”

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