A Polícia Civil de Imbituba concluiu uma investigação que lança luz sobre um esquema estruturado de uso indevido de recursos públicos durante as eleições municipais de 2024. O caso, que ganhou o nome de “Castelo de Barro”, apurou a atuação de um grupo organizado que teria utilizado contratos públicos como ferramenta para captação irregular de votos.
De acordo com as investigações, materiais como cargas de saibro — que deveriam ser destinados a serviços públicos — foram desviados e entregues diretamente a eleitores, sem controle administrativo. Em paralelo, também foram identificadas notas fiscais emitidas sem a efetiva entrega do material, apontando para irregularidades na execução do contrato e prejuízo aos cofres públicos.
A apuração revelou a existência de uma estrutura organizada, dividida em dois núcleos que atuavam de forma integrada. De um lado, o núcleo empresarial, responsável pela logística, transporte e emissão de documentos. De outro, o núcleo político-administrativo, que teria viabilizado o funcionamento do esquema dentro da estrutura pública e direcionado as ações com foco eleitoral.
Mensagens e áudios analisados ao longo da investigação indicam que havia orientação direta para priorizar entregas com finalidade eleitoral. Em alguns casos, os próprios envolvidos associavam a distribuição do material à obtenção de votos, evidenciando o caráter estratégico das ações.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o aumento significativo dessas entregas no período que antecedeu as eleições. Conversas entre os investigados mostram pedidos para intensificar a circulação de caminhões e ampliar a distribuição de material justamente na reta final da campanha, o que reforça a conexão entre as ações e o processo eleitoral.
Ao final da investigação, seis pessoas foram indiciadas pelos crimes de organização criminosa e corrupção eleitoral. O relatório foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que agora devem dar continuidade às medidas legais cabíveis.










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