Há mais de 20 dias, o caminhão de Jairo Luan Gomes permanece estacionado no pátio da aduana de Uspallata, na província argentina de Mendoza. Natural de Sombrio, o motorista faz parte de um grupo de centenas de profissionais que aguardam a liberação da principal ligação rodoviária entre Argentina e Chile, interditada por uma das maiores nevascas registradas na região nos últimos anos.
A espera transformou a rotina dos transportadores. Sem previsão exata para seguir viagem, eles passam os dias tentando ocupar o tempo enquanto convivem com as limitações impostas pela estrutura disponível na fronteira. Segundo Jairo, cerca de 580 caminhões permanecem concentrados apenas no estacionamento da aduana, além de outros veículos distribuídos ao longo da rodovia e em postos de combustíveis próximos.
“Como estamos há muito tempo no mesmo lugar, acaba abalando muito o psicológico. Mas o que fazemos é sentar, conversar e tentar nos tranquilizar entre nós mesmos. O dia é muito longo aqui”, relata.
Além da espera, os caminhoneiros enfrentam dificuldades para manter necessidades básicas. A alimentação e a água chegam por meio de doações realizadas por entidades de apoio da região de Mendoza. Já a infraestrutura disponível é limitada.
“A higiene pessoal aqui é a parte pior: banheiro sem infraestrutura, água gelada para tomar banho e sem muitas condições de uso. Ajuda aqui é só mesmo dessas associações, e vamos nos virando como podemos. Porém, aqui venta muito e se torna ainda mais difícil, a aduana é chão batido e tem muita poeira”, descreve.
O bloqueio foi provocado pelo grande volume de neve acumulado na Cordilheira dos Andes. Em alguns pontos, a camada chegou a cerca de três metros, impedindo o tráfego no Paso Los Libertadores, corredor utilizado diariamente pelo transporte internacional de cargas entre os dois países.
Mesmo trabalhando há anos em rotas internacionais, Jairo afirma que nunca havia permanecido tanto tempo impedido de seguir viagem. “Todo ano se repete essa mesma situação, mas essa está sendo histórica”, diz.
Enquanto equipes argentinas trabalham na desobstrução da rodovia e no atendimento de turistas isolados pela tempestade, os motoristas acompanham as previsões meteorológicas. A expectativa é que a passagem volte a operar somente após a melhora das condições em Las Cuevas, trecho de maior altitude da travessia, o que pode ocorrer a partir de 8 de agosto.









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