A verdadeira “Erva-de-São-João”: por que a identificação científica importa

Por: Alésio dos Passos

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Ageratum conyzoides L., conhecida popularmente como erva-de-São-João, falsa-erva-de-São-João, catinga-de-bode, mentraço ou mentrasto, é uma planta anual, espontânea no Brasil e facilmente encontrada em bordas de estradas e terrenos baldios. Pode atingir até um metro de altura e integra a família Asteraceae. Trata-se de uma espécie de interesse do SUS graças às suas propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, amplamente utilizada na medicina popular brasileira e também reconhecida em outros países.

No uso tradicional, essa planta é aplicada principalmente para aliviar dores musculares, contusões e inflamações, especialmente em preparações externas como banhos, infusões da parte aérea e cataplasmas. Popularmente, também é empregada para dores reumáticas, artrite, artrose, problemas do trato urinário, corrimentos vaginais (em doses baixas e banhos íntimos), hemorróidas, cólicas, gases, sinusite (por inalação), sintomas da TPM, resfriados, bronquite, tosse e até amenorreia — o que a torna uma planta potencialmente abortiva. É ainda considerada antipirética, depurativa e útil em lavagens capilares contra caspa, além de possuir efeito inseticida.

Formas de uso e dosagens

O óleo da planta é bastante utilizado em massagens, trazendo alívio para dor e inflamação.
Para o chá, recomenda-se infusão de 2 a 3 gramas para 150 ml de água, duas vezes ao dia.
Outra forma tradicional é preparar 20 g da planta para 1 litro de água, consumindo até quatro xícaras diárias.
As partes utilizadas são folhas e caules — exceto as flores.

Atenção aos riscos

Apesar de seus benefícios, o Ageratum conyzoides contém alcaloides pirrolizidínicos, substâncias hepatotóxicas. Por isso:

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  • Não exceda as doses recomendadas
  • Não utilize por períodos prolongados
  • O uso externo é considerado o mais seguro
  • Consulte sempre um profissional habilitado em plantas medicinais
  • A colheita deve ser feita antes da floração

Por que tantas confusões de nomes?

O nome popular “erva-de-São-João” é compartilhado por diversas plantas, o que gera erros frequentes — e potencialmente perigosos.

A maior confusão ocorre entre nossa erva-de-São-João (Ageratum conyzoides) e o hipérico europeu (Hypericum perforatum), amplamente estudado e utilizado no mundo inteiro, especialmente na Alemanha, para depressão leve e moderada, insônia, ansiedade e irritabilidade. A versão europeia também tem ação anti-inflamatória — mas essa propriedade não se aplica à espécie brasileira.

Para agravar, o comércio muitas vezes vende o Ageratum como se fosse Hypericum, induzindo a população ao uso inadequado. Há ainda quem confunda o nome com o cipó-São-João (Pyrostegia venusta), que nada tem a ver com as anteriores.

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