Palco e Literatura: Projeto leva clássicos dos vestibulares de SC para o ambiente escolar

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Com mais de uma década de trajetória, o projeto Literatura Viva transforma leituras obrigatórias em experiências cênicas marcantes para estudantes.

Ler os clássicos da literatura exigidos nos principais vestibulares nem sempre é uma tarefa simples para estudantes do Ensino Médio. Transformar essas páginas em carne, osso, voz e emoção é a missão que o ator, produtor cultural e arte-educador Eduardo Magagnin realiza desde 2014 por meio do projeto Literatura Viva.

Percorrendo Santa Catarina, a iniciativa une a força da palavra escrita à potência do teatro, funcionando como uma ponte entre a sala de aula, a formação cultural dos estudantes e a preparação para o ingresso no ensino superior.

Atualmente, o grupo Literatura Viva mantém uma tríade de espetáculos em circulação. Utilizando o conceito da palavra cênica — em que o texto literário é preservado em sua essência e potencializado pela interpretação dramática —, o projeto leva três montagens diretamente para o ambiente escolar.

Clássicos no Palco: o repertório atual

O portfólio em circulação contempla desde a ironia refinada do século XIX até a crítica social do início do século XX e a dramaturgia contemporânea.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Um dos maiores sucessos do projeto, a adaptação da obra-prima machadiana ganhou destaque no cenário educacional catarinense ao integrar a lista de leituras obrigatórias do vestibular da UDESC. O espetáculo segue sendo uma importante ferramenta de apoio para estudantes que se preparam para os processos seletivos do estado.

Clara dos Anjos, de Lima Barreto

A contundente crítica social e racial presente na obra de Lima Barreto ganha vida no palco, preparando os alunos para as reflexões humanas e estruturais propostas pelo romance. A montagem dialoga diretamente com as discussões presentes nos vestibulares e processos seletivos contemporâneos, incluindo a UFSC.

Velhos, de Ale Motta

Inspirado pelo teatro de máscaras e pela linguagem da palhaçaria (clown), o espetáculo traduz a escrita ágil e os minicontos do autor contemporâneo em uma reflexão poética, bem-humorada e sensível sobre o envelhecimento, estabelecendo um diálogo direto com o público jovem.

O teatro como aliado da educação

Mais do que auxiliar na compreensão de enredos e personagens, o Literatura Viva busca formar plateias e estimular o pensamento crítico dos estudantes. Ao ver Brás Cubas ironizar a própria existência ou acompanhar o drama vivido por Clara dos Anjos, a literatura deixa de ser apenas conteúdo curricular e passa a ser uma experiência concreta e compartilhada.

Para o idealizador do projeto, a presença do teatro na escola desempenha um papel pedagógico e humano insubstituível:

“O teatro literário nas escolas não nasce para substituir o livro, mas para despertar o desejo pela leitura. Quando o estudante vê o personagem respirando à sua frente, compartilhando o mesmo espaço físico e a mesma pulsação, o clássico deixa de ser um texto distante e difícil. A palavra ganha corpo, ganha urgência. O palco humaniza a literatura e faz com que o jovem compreenda que aquelas histórias, escritas há décadas ou séculos, ainda falam diretamente sobre a sua realidade.”

Eduardo Magagnin

Com mais de dez anos de atuação e centenas de apresentações realizadas em escolas catarinenses, o projeto Literatura Viva consolida-se como uma importante ferramenta de incentivo à leitura, democratização do acesso ao teatro e fortalecimento da formação cultural dos estudantes.

Serviço para Escolas

Instituições de ensino interessadas em receber as apresentações podem entrar em contato com a produção do grupo para consulta de datas, itinerários e condições de contratação.

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