Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, o Brasil chega a um Mundial sem nenhum treinador brasileiro comandando seleções participantes. Um dado que, por si só, já carrega peso simbólico — e um certo desconforto.
O contraste se torna ainda maior porque a própria Seleção Brasileira estará sob o comando do italiano Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial. O país que durante décadas exportou talentos, ideias e estilos de jogo agora se vê em uma posição inédita: importando liderança para sua maior paixão nacional.

O italiano Carlo Lancelotti comanda a Seleção Brasileira na Copa 2026 – Foto: CBF TV
Durante muito tempo, o Brasil foi referência também fora das quatro linhas. Nomes como Zagallo, Parreira e Felipão ajudaram a construir uma identidade reconhecida mundialmente, levando a influência brasileira para diferentes seleções e competições internacionais.

Mário Jorge Logo Zagallo foi campeão mundial como jogador e como treinador – Foto: Gabriel Bouys/AFP/Getty Images
Hoje, esse protagonismo parece ter perdido espaço. O futebol se tornou mais globalizado, mais estudado e mais estratégico. As comissões técnicas se profissionalizaram em um ritmo acelerado, e o cenário internacional passou a exigir novas competências e modelos de gestão.
A chegada de Ancelotti representa uma aposta em experiência, conhecimento e resultados. Mas também provoca uma reflexão inevitável: em que momento o país que ensinou o mundo a jogar futebol passou a buscar fora de casa as respostas para comandar sua própria seleção?
O futebol segue seu curso, como sempre. Mas a imagem desta Copa, sem técnicos brasileiros nos bancos de outras seleções, permanece como um recado silencioso — e difícil de ignorar.
Jornalista Dela Oliveira
jornalistadelaoliveira@gmail.com
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